Após sofrer AVC no presídio, Justiça concede prisão domiciliar a acusado de homicídio em Nova Andradina

Rogério Senturion está internado em Dourados, sem previsão de alta; decisão determina monitoramento eletrônico e prisão domiciliar após tratamento hospitalar

Da Redação


A Justiça de Nova Andradina determinou, nessa terça-feira (13), a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar de Rogério Senturion, de 39 anos, acusado de matar Antônio da Conceição Ribeiro da Rocha, de 62 anos, em junho deste ano. A decisão foi tomada após o réu sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico, associado a problemas cardíacos, no presídio.

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Conforme documentos judiciais obtidos pelo Jornal da Nova, Rogério está internado no Hospital da Vida, em Dourados, em estado clínico grave e sem previsão de alta médica.

A decisão foi assinada pelo juiz Juliano Luiz Pereira, da Vara Criminal de Nova Andradina, que considerou a situação de saúde incompatível com a manutenção da custódia nas condições habituais do sistema prisional.

Homicídio aconteceu em junho, nas dependências do antigo Mercado Bom Pai, no centro de Nova Andradina - Foto: Jornal da Nova

O magistrado determinou que o acusado seja submetido a monitoramento eletrônico durante a internação, sem restrições geográficas que possam comprometer o tratamento médico. Após receber alta hospitalar, Rogério deverá cumprir prisão domiciliar.

Também foi determinada a comunicação urgente à Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) e à Central de Monitoramento Eletrônico. A defesa deverá informar imediatamente à Justiça quando ocorrer a alta médica.

Em julho, o mesmo juiz negou um pedido de liberdade e também foram rejeitados os pedidos alternativos de aplicação de medidas cautelares e de prisão domiciliar.

O Ministério Público Estadual foi contra a renovação da prisão. Para o Ministério Público, a liberdade do investigado poderia representar risco à ordem pública e à produção das provas. Por isso, medidas cautelares menos severas seriam insuficientes.

Em relação ao estado de saúde, o MP reconheceu a existência de enfermidades cardiovasculares, mas considerou que a defesa não comprovou que o tratamento não poderia ser realizado durante a custódia, com atendimento no sistema prisional ou encaminhamento à rede pública.

Diante disso, o promotor Murilo Hamati Gonçalves emitiu parecer desfavorável à soltura, à substituição da prisão por medidas cautelares e à concessão da prisão domiciliar.

Essa nova decisão não representa absolvição nem encerra o processo criminal. Rogério continuará respondendo às acusações de homicídio qualificado e fraude processual.

Relembre o crime

Homicídio aconteceu em junho, nas dependências do antigo Mercado Bom Pai, no centro de Nova Andradina - Foto: Jornal da Nova

Antônio da Conceição Ribeiro da Rocha foi encontrado morto na noite de 29 de junho de 2026, nas dependências do antigo Mercado Bom Pai, localizado na avenida Alcides Menezes de Faria, região central de Nova Andradina.

A vítima tinha 62 anos, vivia em situação de rua e possuía deficiência visual. Segundo a investigação da Polícia Civil, Antônio foi atingido por golpes de arma branca no imóvel abandonado que utilizava como abrigo.

Rogério, que trabalhava como segurança nas proximidades, inicialmente afirmou ter encontrado a vítima ferida e acionado o Corpo de Bombeiros. Entretanto, imagens de câmeras de segurança e informações extraídas de seu telefone celular levaram os investigadores a apontá-lo como principal suspeito.

Ele foi preso preventivamente em 3 de julho, durante investigação conduzida pela Seção de Investigações Gerais (SIG) da Polícia Civil de Nova Andradina.

Posteriormente, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul apresentou denúncia por homicídio qualificado, apontando motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de fraude processual.

Segundo a acusação, Rogério teria alterado elementos da cena do crime para dificultar a investigação. O caso tramita na Vara Criminal de Nova Andradina.

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