Economia & Negócios / Justiça
Moraes determina buscas contra ex-secretário apontado como fonte de jornalista
Medida atingiu Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão, e advogado de Luís Pablo; investigação está relacionada a reportagens envolvendo o uso de veículos oficiais por Flávio Dino e familiares
Por CNN Brasil
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nessa terça-feira (11) uma operação de busca e apreensão contra Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão, apontado pela investigação como fonte do jornalista Luís Pablo em reportagens envolvendo o ministro Flávio Dino e familiares. O advogado do jornalista também foi alvo da medida.
O caso está relacionado a publicações feitas por Luís Pablo sobre o uso de veículos oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares de Dino.
Em março, Moraes já havia autorizado uma operação de busca e apreensão contra o próprio jornalista. Na ocasião, a decisão mencionava indícios do crime de perseguição, previsto no artigo 147-A do Código Penal, além de possível relação dos fatos investigados com o chamado inquérito das fake news.
Celulares, notebook e HD apreendidos durante aquela diligência foram devolvidos em abril, após a Polícia Federal concluir a extração dos dados. Segundo a decisão, foi a partir da análise desse material que os investigadores identificaram Cutrim como fonte das reportagens.
A nova operação foi solicitada pela Polícia Federal e recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Defesa manifesta preocupação com sigilo da fonte
Em nota, os advogados José Berilo de Freitas Leite Filho e José Berilo de Freitas Leite Neto, responsáveis pela defesa de Cutrim, afirmaram que ainda não tiveram acesso à íntegra dos autos, que tramitam sob sigilo no STF.
A defesa reconheceu que a diligência está relacionada às reportagens sobre os veículos oficiais e manifestou “preocupação técnica” com a exposição de uma fonte jornalística. Os advogados citaram a proteção ao sigilo da fonte prevista no artigo 5º, inciso XIV, da Constituição Federal.
Luís Pablo, por sua vez, negou ter perseguido o veículo de Dino ou de familiares. O jornalista também afirmou que as informações divulgadas sobre o uso do carro oficial seriam comprovadas e negou ter recebido qualquer pagamento para publicar as reportagens.
Gabinete de Dino nega irregularidade
A assessoria de Flávio Dino negou irregularidades no uso do veículo. Segundo o gabinete, tratava-se de um carro blindado cedido pela Secretaria de Segurança do STF dentro de um acordo de cooperação com tribunais do país.
Ainda conforme a assessoria, a investigação teria identificado um monitoramento clandestino do ministro e de seus familiares, envolvendo inclusive veículos particulares e imagens dos filhos, que são menores de idade. O gabinete sustenta que parte desse material teria sido produzida por pessoas que, segundo a assessoria, não seriam jornalistas.
O levantamento também teria reunido informações sobre a equipe responsável pela segurança do ministro, situação que levou a alterações no esquema de proteção. Diante do episódio, o gabinete informou que solicitará reforço adicional de segurança.
Aliados de Dino disseram à "CNN Brasil" que o veículo particular do ministro teria sido seguido e alegaram que Luís Pablo teria cobrado R$ 100 mil para publicar reportagens. O jornalista nega a acusação.
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