Na luta entre esquerda e direita, quem perde é o Brasil

*Henaglyton Corneto


O radicalismo político divide a população e enfraquece o país. Em meio às disputas ideológicas, o Brasil precisa resgatar o diálogo, o respeito e a união em torno de um objetivo comum: construir uma nação melhor para todos.

A disputa entre esquerda e direita faz parte da democracia. O debate de ideias, a diversidade de opiniões e a liberdade de escolher os próprios representantes são elementos fundamentais de uma sociedade democrática. O problema começa quando as diferenças políticas deixam de ser uma oportunidade de diálogo e se transformam em motivo de ódio, intolerância e divisão.

Quando o radicalismo toma conta dos dois lados do espectro político, quem mais sofre é a população. Famílias se desentendem, amizades são rompidas e cidadãos passam a enxergar uns aos outros como inimigos simplesmente por pensarem diferente. Nesse cenário, a política, que deveria servir como instrumento de transformação social, acaba se tornando uma fonte permanente de conflitos.

Enquanto os brasileiros discutem quem está certo ou errado, o país continua enfrentando desafios que exigem atenção e responsabilidade. A desigualdade social, a dificuldade de acesso a serviços públicos de qualidade, a falta de oportunidades e os problemas econômicos não escolhem partido. Essas questões atingem pessoas de diferentes classes sociais, regiões e posições ideológicas.

O Brasil é um país de dimensões continentais, rico em belezas naturais, biodiversidade, recursos minerais, terras férteis e commodities que possuem grande importância no mercado internacional. Da Amazônia ao Pantanal, do Cerrado às praias do litoral, a diversidade brasileira representa um patrimônio extraordinário. Somam-se a isso a força de sua agricultura, sua capacidade produtiva e, principalmente, a criatividade e a disposição de seu povo para trabalhar e superar dificuldades.

Diante de tantas riquezas e potencialidades, é legítimo questionar por que o Brasil ainda não consegue oferecer a todos os seus cidadãos as condições necessárias para uma vida digna, segura e próspera.

A resposta não está na simples vitória de um lado sobre o outro. Está na capacidade de construir consensos, respeitar diferenças e estabelecer prioridades que atendam aos interesses coletivos. Nenhum projeto político, por melhor que seja sua proposta, será suficiente se a sociedade permanecer permanentemente dividida.

Isso não significa que os brasileiros devam abandonar suas convicções ou deixar de cobrar seus representantes. Pelo contrário. A democracia precisa de cidadãos atentos, críticos e participativos. O que precisa ser superado é a ideia de que discordar significa odiar, ou de que reconhecer uma boa iniciativa do adversário representa uma derrota pessoal.

O país precisa de menos radicalismo e mais responsabilidade. Menos ataques pessoais e mais propostas. Menos disputas motivadas pelo ressentimento e mais compromisso com a educação, a saúde, a segurança, o desenvolvimento econômico e a redução das desigualdades.

A união nacional não exige que todos pensem da mesma maneira. Exige apenas que se reconheça que, acima das diferenças partidárias, existe algo que todos compartilham: o destino do Brasil.

Se o povo brasileiro conseguir transformar suas diferenças em diálogo e suas riquezas em oportunidades para todos, o país poderá se aproximar do ideal de nação que tantos desejam. Um lugar onde as pessoas tenham liberdade para pensar, trabalhar, empreender, viver com segurança e criar seus filhos com dignidade.

A esquerda tem suas propostas. A direita também. O Brasil, porém, é maior do que qualquer partido, ideologia ou liderança política.

No fim das contas, quando a esquerda e a direita se enfrentam de maneira radical, não há uma verdadeira vitória nacional. Há uma população dividida e um país que perde oportunidades de avançar.

O Brasil não precisa que todos pensem igual. Precisa que todos compreendam que, apesar das diferenças, estamos no mesmo lado quando o assunto é construir um futuro melhor para a nossa nação.

*Advogado, empresário e analista político

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornal da Nova.

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