Nacional & Geral / Meio Ambiente
Instituto Baleia Jubarte completa 30 anos e população da espécie ultrapassa 35 mil animais no Brasil
Trabalho de pesquisa e conservação contribuiu para a recuperação das baleias, que chegaram a ficar ameaçadas de extinção após décadas de caça
Luis Gustavo, Da Redação*
O Instituto Baleia Jubarte completa 30 anos de atuação nesta terça-feira (3), com uma trajetória marcada por avanços na pesquisa e na conservação de uma das maiores espécies de mamíferos marinhos do planeta. Nesse período, a população de baleias-jubarte no Brasil passou de aproximadamente 1,5 mil a 2 mil indivíduos, no início da década de 1990, para mais de 35 mil animais, segundo estimativa realizada em 2022.
A recuperação é resultado de décadas de esforços de pesquisadores, ambientalistas e instituições envolvidas na proteção da espécie, que chegou a ser considerada ameaçada de extinção devido à caça comercial. No Brasil, a atividade foi proibida em 1987.
A história do projeto começou em 1988, quando pesquisadores identificaram uma pequena população sobrevivente de baleias-jubarte no arquipélago de Abrolhos, no litoral sul da Bahia. A descoberta motivou o fotógrafo de vida selvagem Enrico Marcovaldi e a bióloga Márcia Engel a desenvolverem uma iniciativa voltada ao estudo e à proteção dos animais.
Em 1996, o projeto ganhou estrutura institucional com a criação do Instituto Baleia Jubarte, que passou a contar com o patrocínio da Petrobras, principal financiadora das atividades até hoje.
Um dos resultados mais importantes foi alcançado em 2014, quando a espécie deixou a lista de animais ameaçados de extinção. Atualmente, os pesquisadores continuam acompanhando a população por meio de sobrevoos, registros fotográficos e coleta de amostras biológicas.
Pesquisas e descobertas
Ao longo de três décadas, o instituto também se tornou uma referência na produção de conhecimento científico sobre as baleias-jubarte no Brasil.
Mais de 700 estudantes de graduação já participaram de programas de estágio da instituição. Além disso, aproximadamente 60 pesquisas de mestrado e doutorado foram concluídas em parceria com o instituto, que também contribuiu para a publicação de mais de 130 artigos científicos.
Entre as descobertas importantes está a identificação das rotas migratórias da espécie. Todos os anos, as baleias deixam as regiões próximas à Antártica, onde encontram alimento, e percorrem milhares de quilômetros até águas mais quentes, como as do litoral brasileiro, para acasalar e dar à luz.
O arquipélago de Abrolhos é considerado o principal ponto de reprodução da espécie no país.
Os pesquisadores também utilizam fotografias das nadadeiras caudais, que apresentam desenhos únicos e funcionam como uma espécie de impressão digital, permitindo identificar individualmente os animais e acompanhar seus deslocamentos.
Atualmente, essas informações são compartilhadas em plataformas colaborativas que utilizam inteligência artificial para auxiliar no reconhecimento das baleias.
Poluição e mudanças climáticas preocupam pesquisadores
Apesar da recuperação populacional, as baleias-jubarte continuam enfrentando ameaças relacionadas à atividade humana e às mudanças ambientais.
Entre as principais preocupações estão a poluição dos oceanos, a presença de microplásticos e as alterações climáticas, que podem comprometer a disponibilidade de alimentos e afetar o ciclo de vida dos animais.
Os pesquisadores também investigam os impactos da navegação, do turismo, das atividades de exploração sísmica e da instalação de usinas eólicas sobre o comportamento das baleias.
Outro campo de estudo acompanha a condição física dos animais e a relação entre as fêmeas e seus filhotes, além de possíveis alterações na oferta de krill, um pequeno crustáceo que representa uma importante fonte de alimento para a espécie.
Conservação e desenvolvimento econômico
O Instituto Baleia Jubarte também participa de iniciativas voltadas à formulação de políticas públicas de conservação marinha e presta assessoria a empresas interessadas em reduzir os impactos de suas atividades sobre o meio ambiente.
Um exemplo ocorreu no Terminal Aquaviário de São Sebastião, em São Paulo, onde o conhecimento produzido pelo monitoramento das baleias contribuiu para a alteração de rotas de embarcações, evitando áreas utilizadas pelos animais durante a migração.
A Petrobras mantém o financiamento do instituto desde sua criação. Para o atual ciclo de quatro anos, foram destinados aproximadamente R$ 30 milhões à instituição.
Mesmo com os avanços conquistados, pesquisadores destacam que a conservação precisa continuar, buscando conciliar as atividades humanas com a proteção dos ecossistemas marinhos e garantir que as próximas gerações também possam encontrar as baleias-jubarte nos oceanos brasileiros. *Com informações da Agência Brasil.
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