Economia & Negócios / Agronegócios
Doença de Newcastle pressiona MBRF e exportações, mas não ameaça oferta de aves no Natal
Três focos registrados em granjas comerciais de perus em Santa Catarina provocaram restrições às exportações brasileiras e exigiram mudanças na operação da empresa
Luis Gustavo, Da Redação*
A confirmação de três focos da doença de Newcastle em granjas comerciais de perus no Oeste de Santa Catarina aumentou a preocupação no setor agropecuário brasileiro, provocou restrições às exportações de produtos avícolas e pressionou a operação da MBRF, uma das principais empresas do segmento no país.
Apesar dos impactos sanitários e comerciais, a ocorrência não deve comprometer o abastecimento de carne de frango, peru e outras aves especiais durante o Natal. A avaliação é de analistas do mercado, que destacam o planejamento antecipado da produção e os estoques já preparados para atender à demanda de dezembro.
Os casos foram confirmados em Nova Itaberaba, Coronel Freitas e Nova Erechim, em um intervalo de menos de dez dias. Juntas, as propriedades envolvidas tinham mais de 48 mil aves, segundo informações da defesa agropecuária catarinense.
As granjas de Nova Itaberaba e Coronel Freitas eram fornecedoras da MBRF, companhia responsável por marcas como Sadia e Perdigão. A situação exigiu medidas sanitárias, reorganização dos fluxos de produção e redirecionamento de pedidos destinados ao mercado internacional.
A doença de Newcastle é provocada por um vírus altamente contagioso entre aves e pode afetar os sistemas respiratório, digestivo e nervoso dos animais. A transmissão ocorre pelo contato com secreções, excreções e materiais contaminados.
O Ministério da Agricultura declarou emergência zoossanitária por 60 dias em quatro municípios da região: Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim. Entre as medidas estão o sacrifício sanitário das aves infectadas, a desinfecção das instalações, o controle do trânsito de animais e o monitoramento de propriedades próximas.
Impactos sobre a MBRF
A concentração dos casos em granjas fornecedoras da MBRF aumentou a exposição da companhia aos efeitos da ocorrência sanitária. A empresa possui uma unidade de abate de perus em Chapecó e participação expressiva nesse mercado.
Segundo estimativas de especialistas ouvidos pela CNN Brasil, a companhia detém aproximadamente 75% do mercado brasileiro de peru e 60% do segmento de aves especiais.
Para minimizar os prejuízos, a empresa precisa reorganizar parte da produção e redirecionar pedidos internacionais para unidades industriais localizadas no Paraná e no Rio Grande do Sul, que permanecem habilitadas a atender determinados mercados.
Outra estratégia é manter armazenados produtos que já foram industrializados em Santa Catarina, mas ficaram temporariamente impedidos de seguir para o exterior devido às restrições sanitárias.
A medida evita que grandes volumes de carne sejam direcionados imediatamente ao mercado interno, o que poderia provocar pressão sobre os preços e dificultar a comercialização de outros produtos avícolas.
Exportações enfrentam restrições
O principal impacto da doença está concentrado no comércio internacional. Alguns países suspenderam importações de produtos avícolas brasileiros, enquanto outros adotaram restrições específicas para mercadorias provenientes de Santa Catarina.
México e Malásia suspenderam compras de determinados produtos de todo o Brasil. Já Arábia Saudita, China e Chile estabeleceram restrições envolvendo produtos originários de Santa Catarina.
O estado tem participação importante nas exportações brasileiras. Em 2025, Santa Catarina embarcou aproximadamente 29,5 mil toneladas de carne de peru, o equivalente a 44,8% do volume exportado pelo país.
No segmento de carne de frango, foram cerca de 1,2 milhão de toneladas exportadas, correspondentes a 23,3% do total nacional.
A regionalização dos embargos é considerada fundamental para reduzir os prejuízos, permitindo que frigoríficos de outros estados continuem atendendo mercados internacionais.
Natal não deve sofrer impactos
Apesar das dificuldades enfrentadas pela indústria, os analistas avaliam que a oferta de aves especiais para as festas de fim de ano está preservada.
Isso ocorre porque a produção de perus e outras aves natalinas é planejada com bastante antecedência. Uma parcela significativa dos produtos destinados ao Natal já passou pelo abate e está armazenada para distribuição no comércio.
O volume de aves envolvido nos focos sanitários também é considerado pequeno diante da capacidade de produção nacional.
A principal preocupação do setor está relacionada à continuidade das restrições comerciais, que podem elevar os custos de armazenagem e exigir novas estratégias para comercializar a produção impedida de seguir ao exterior.
O Ministério da Agricultura reforça que o consumo de produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanece seguro. A doença de Newcastle afeta aves e não representa risco ao consumidor pelo consumo de carne e produtos devidamente inspecionados.
O cenário, portanto, coloca a indústria avícola diante de um desafio sanitário e comercial, mas, até o momento, não indica risco de falta de peru, frango ou outras aves especiais nas ceias de Natal dos brasileiros. *Com informações da CNN.
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