Forças de segurança interceptam 18 drones usados pelo crime organizado em presídio de MS

Apreensões causaram prejuízo superior a R$ 300 mil a criminosos; equipamentos eram utilizados para transportar celulares, drogas e outros materiais ilícitos

Da Redação*


A atuação conjunta da Força Penal Nacional (FPN) e da Polícia Penal de Mato Grosso do Sul resultou na interceptação de 18 drones utilizados pelo crime organizado para tentar introduzir celulares, drogas e outros materiais proibidos no Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, conhecido como Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande, nos últimos dois meses.

As apreensões representam um prejuízo estimado em mais de R$ 300 mil ao crime organizado, considerando apenas o valor dos equipamentos, sem incluir os materiais transportados e outros ilícitos recolhidos durante as operações.

Segundo as autoridades, os drones possuem adaptações para transportar e liberar cargas durante o voo, permitindo o lançamento de objetos no interior do presídio. Cada aparelho tem capacidade para carregar até seis celulares e aproximadamente 600 gramas de entorpecentes.

O representante da Força Penal Nacional, Claudevan Queiroz Costa, destacou a importância da integração entre as equipes para combater essa modalidade criminosa, que utiliza tecnologia para tentar superar os mecanismos de segurança das unidades prisionais.

O secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia, ressaltou a necessidade de investimentos em equipamentos, treinamento e inteligência para fortalecer a atuação dos policiais penais.

“Cada celular que impedimos de entrar é um meio a menos para transmitir ordens, aplicar golpes e ameaçar a população. Investir nas condições de trabalho desses profissionais é fortalecer o controle do Estado e proteger quem está aqui fora. Prisão não pode ser escritório do crime”, afirmou.

Drones serão utilizados em treinamentos

Drones adaptados para transportar celulares e drogas serão aproveitados na capacitação dos policiais penais - Foto: Divulgação

Além de impedir a entrada de materiais ilícitos, a operação permitirá o aproveitamento dos drones apreendidos na capacitação dos policiais penais. Os equipamentos estão sendo entregues à Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) para utilização futura em atividades de treinamento.

A iniciativa permitirá que os profissionais conheçam as adaptações utilizadas pelos criminosos e aprimorem as técnicas de prevenção e interceptação.

Segundo o diretor de Operações da Agepen, Flávio Rodrigues, a medida contribuirá para preparar as equipes diante das novas estratégias do crime organizado.

Paralelamente, a Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande recebe a instalação de telas de proteção, que funcionarão como barreiras físicas para dificultar o lançamento de materiais por drones.

Operações começaram em agosto

As ações fazem parte das operações da Força Penal Nacional iniciadas em 24 de agosto de 2026, com foco no desenvolvimento e aperfeiçoamento de protocolos de segurança contra o uso de drones em estabelecimentos penais.

A atuação foi autorizada pela Portaria MJSP nº 1.280, de 13 de agosto de 2026, que prevê atividades no Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, em Campo Grande, e na Penitenciária Estadual de Dourados.

O trabalho integrado inclui compartilhamento de informações, monitoramento de movimentações suspeitas e respostas coordenadas às tentativas de entrada de materiais proibidos. Os itens apreendidos foram encaminhados aos setores competentes para os procedimentos cabíveis.

Os resultados das operações servirão de base para aperfeiçoar as estratégias de segurança e ampliar a capacidade de enfrentamento ao uso de drones pelo crime organizado no sistema penitenciário. *Com Agepen-MS

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