Produção brasileira de ovos deve crescer 5% em 2026

Produção nacional deve somar 56 bilhões de unidades; São Paulo lidera ranking nacional, seguido por Minas Gerais e Espírito Santo

Por CNN Brasil


O Dia Mundial do Ovo, celebrado nesta sexta-feira 99), chega com o mercado brasileiro projetando um aumento de 5% na produção interna.Segundo o Instituto Ovo Brasil, este ano a produção cresce em ritmo superior ao do consumo, e o mercado segue ligeiramente retraído.

O presidente do Instituto de Ovos Brasil, Edival Veras, avalia que o ano foi de desafios, mas dentro da normalidade para um setor primário, e que a tendência de longo prazo continua positiva.

Há 17 anos, quando o instituto foi criado, o brasileiro consumia cerca de 120 ovos por ano. Hoje, o patamar está um pouco acima de 300 unidades por pessoa. Durante boa parte desse período, produção e consumo avançaram juntos, a cerca de 10% ao ano. Em 2026, esse ritmo perdeu força.

"O consumo está de certa forma um pouco travado, e a produção também vem em um momento de bastante preocupação", afirmou. A expectativa do instituto é que o consumo feche o ano em torno de 300 ovos per capita. Edivaldo estima que o volume produzido fique cerca de 5% acima do ano anterior, avanço que superou o do consumo.

Segundo ele, quando a oferta passa da demanda, o produtor reduz a produção para adequá-la ao mercado, e o equilíbrio se refaz ao longo do ano, entre períodos de menor e maior consumo. "A produção precisa ter muita responsabilidade para atender sem muita sobra, sem muita falta", disse.

Brasil se destaca como quarto produtor mundial

O Brasil produz hoje cerca de 56 bilhões de ovos por ano, o que o coloca na quarta posição entre os maiores produtores mundiais e na sexta em consumo. Há 17 anos, o país não figurava entre os 30 maiores consumidores.

O mapa da produção não mudou. São Paulo lidera, seguido por estados como Minas Gerais, Espírito Santo e Pernambuco, que também estão entre os maiores produtores. Segundo Edivaldo, os demais estados importantes crescem de forma linear, acompanhando o consumo.

Entre os fatores que sustentam a demanda, Edival cita a difusão do conceito de proteína, que beneficia as proteínas em geral e aponta as canetas emagrecedoras como um dos motivos, já que quem as usa tende a buscar mais proteína na alimentação.

Outros fatores são a praticidade, a versatilidade e a acessibilidade do ovo, vendido em ampla rede de comércio.

Exportações em alta

As vendas externas ainda representam pouco. O país exportava cerca de 0,5% da produção, e o instituto espera que a fatia chegue a 2%. O Brasil exporta hoje para mais de 17 países. Edivaldo destacou a situação sanitária do país, que segue livre da gripe aviária, e disse que isso atrai compradores internacionais. A prioridade, segundo ele, continua sendo o mercado interno.

Dados da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) mostram que no acumulado de janeiro a setembro, as exportações chegaram a 22,669 mil toneladas, volume 34,1% inferior às 34,378 mil toneladas embarcadas no mesmo período de 2025.

A receita acumulada totalizou US$ 49,769 milhões, retração de 38,4% em relação aos US$ 80,832 milhões registrados no ano anterior.

O setor emprega entre 600 mil e 700 mil pessoas, segundo o instituto. Edivaldo apontou a falta de mão de obra como um dos principais desafios, já que as granjas ficam no interior e há migração para as cidades. Em resposta, a atividade passa por automação e uso de tecnologia, e os trabalhadores que ficam estão mais qualificados.

Perspectiva para 2027

Para o próximo ano, o instituto vê espaço para crescimento. Ele lembra que a Organização Mundial da Saúde recomenda dois ovos por dia, enquanto o brasileiro está perto de um por dia. "Tem muito espaço ainda para crescer", afirmou.

Embora o executivo não projete um número para 2027, a expectativa é de que a produção continue crescendo para atender à demanda.

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