Reserva em MS abriga 113 espécies e vira refúgio para anta, lobo-guará e onça-parda

RPPN Cisalpina preserva 3.857 hectares em Brasilândia e reúne espécies ameaçadas em área de transição entre Cerrado e Mata Atlântica

Da Redação


A RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) Cisalpina, localizada em Brasilândia, abriga pelo menos 113 espécies de animais silvestres, entre elas anta, lobo-guará, onça-parda e jaguatirica.

Os dados fazem parte do Programa de Monitoramento de Fauna da CESP (Companhia Energética de São Paulo), desenvolvido na unidade de conservação, que possui 3.857 hectares de área preservada e está situada na região de influência da UHE Porto Primavera.

Entre as espécies catalogadas até o momento estão a anta (Tapirus terrestris), o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), a onça-parda (Puma concolor), a jaguatirica (Leopardus pardalis), a arara-canindé (Ara ararauna) e o chora-chuva-preto (Monasa nigrifrons). Segundo o levantamento, os seis registros apresentam algum grau de ameaça nas listas oficiais consideradas pelo estudo.

A reserva reúne em um mesmo território ambientes de Cerrado, Mata Atlântica do Interior e áreas úmidas da planície do rio Paraná. Esse mosaico ambiental favorece a biodiversidade registrada durante as três primeiras campanhas do monitoramento.

Anta está entre as 113 espécies de animais silvestres já identificadas na RPPN Cisalpina, em Brasilândia - Foto: Reprodução

Até agora, foram identificadas 91 espécies de aves, 12 de mamíferos, oito de anfíbios e duas de répteis. As campanhas começaram no segundo semestre de 2025 e terão continuidade até 2027.

Segundo Odemberg Veronez, gerente de Sustentabilidade da companhia, os 3.857 hectares da Cisalpina estão inseridos em uma área de proteção de aproximadamente 17 mil hectares que, somada a outros ambientes preservados, forma um conjunto superior a 21 mil hectares conservados.

Espécies ameaçadas

Entre os animais registrados, a anta apresenta um dos status de conservação mais preocupantes apontados pelo levantamento, sendo considerada Vulnerável (VU) nas avaliações nacional e internacional mencionadas no estudo.

O lobo-guará também aparece classificado como Vulnerável, enquanto a onça-parda é apontada como Quase Ameaçada (NT). A presença do felino chama atenção por se tratar de um grande predador que necessita de extensas áreas para manter suas populações.

Monitoramento segue até 2027

Para identificar os animais presentes na reserva, os biólogos utilizam técnicas como pontos de escuta, transectos, busca ativa e armadilhas fotográficas, além do registro de encontros ocasionais.

As três primeiras campanhas somaram aproximadamente 1.483,5 horas de esforço amostral, incluindo o funcionamento contínuo das câmeras instaladas para registrar mamíferos sem interferência direta em seu comportamento.

O programa prevê oito campanhas. Cinco ainda serão realizadas até 2027, permitindo acompanhar a biodiversidade da RPPN e avaliar os resultados das medidas de conservação adotadas na região.

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