Economia & Negócios / Economia
Banco Central mantém cautela sobre próximos passos e alerta para riscos fiscais
Ata do Copom aponta inflação ainda pressionada pela demanda e defende manutenção de política monetária restritiva
Luis Gustavo, Da Redação*
O Banco Central manteve a cautela sobre os próximos passos da política monetária e afirmou que os juros devem continuar em nível restritivo diante das pressões ainda existentes sobre a inflação. A avaliação consta na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira (22).
Na reunião realizada na semana passada, o Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano. Apesar do novo corte, o colegiado evitou indicar qual será sua decisão na próxima reunião e afirmou que a intensidade do ciclo de ajustes dependerá da evolução do cenário econômico.
Segundo o documento, a inflação continua pressionada pela demanda, o que exige a manutenção de uma política monetária restritiva. O Copom destacou ainda que as incertezas permanecem elevadas e que existem riscos considerados assimétricos para a trajetória dos preços.
Outro ponto de atenção apresentado pelo Banco Central é o cenário fiscal. A ata afirma que o enfraquecimento do esforço de reformas estruturais e de disciplina fiscal, o aumento do crédito direcionado e as incertezas relacionadas à estabilização da dívida pública podem elevar a chamada taxa de juros neutra da economia.
Essa taxa serve como referência para determinar o nível de juros necessário para manter a inflação sob controle. Quanto maior a taxa neutra, maior tende a ser o nível da Selic necessário para produzir esse efeito.
O Copom também avaliou que a atividade econômica brasileira apresenta sinais de moderação. No segundo trimestre de 2026, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,5% em relação aos três primeiros meses do ano, indicando perda de ritmo da atividade.
No cenário externo, o Banco Central destacou a necessidade de cautela diante da continuidade dos conflitos no Oriente Médio e dos possíveis impactos sobre a volatilidade dos preços de ativos e das commodities.
Para o primeiro trimestre de 2028, que atualmente é considerado o horizonte relevante para a política monetária, a projeção de inflação do Copom está em 3,2% no cenário de referência.
Apesar do corte da Selic, o Banco Central sinalizou que novas decisões continuarão condicionadas à evolução dos indicadores econômicos, das expectativas de inflação, do cenário fiscal e das condições externas. *Com informações da CNN.
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