Cidades & Região / Campo Grande
Imóvel comprado por presidente da Santa Casa por R$ 400 mil em espécie é alvo de investigação
Aquisição feita por Alir Terra Lima em janeiro de 2025 aparece entre as movimentações patrimoniais analisadas pelo Gecoc na Operação Antidotum
Luis Gustavo, Da Redação
As investigações que resultaram na "Operação Antidotum", que apura suspeitas de fraudes e desvios milionários envolvendo a Santa Casa de Campo Grande, identificaram a compra de um imóvel residencial pela presidente da instituição, Alir Terra Lima, no valor de R$ 400 mil, pago em espécie.
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Segundo relatório do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), a aquisição ocorreu em 24 de janeiro de 2025 e integra o conjunto de movimentações patrimoniais analisadas durante a apuração sobre contratos e pagamentos da Santa Casa e da Operadora Santa Casa Saúde.
O imóvel está localizado na Rua João Pessoa, em Campo Grande. Conforme o documento analisado na investigação, o valor declarado foi de R$ 400 mil, com a informação de que o pagamento foi realizado no ato, em dinheiro.
A compra passou a ser analisada pelos investigadores dentro da apuração sobre a origem e a movimentação dos recursos no período. O Gecoc aponta que os elementos reunidos indicam a possível existência de uma estrutura organizada, com divisão de funções e finalidade econômica, além de suspeitas relacionadas a fraudes contratuais, peculato e falsidade documental.
Alir Terra Lima foi presa na sexta-feira (11), durante a deflagração da Operação Antidotum.
Operação Antidotum
O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) deflagrou a operação na sexta-feira (11), com o cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).
Ao todo, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 mandados de busca e apreensão.
De acordo com o Ministério Público, a investigação identificou irregularidades em um contrato firmado pela Santa Casa de Campo Grande para a prestação de serviços de digitalização de prontuários. O acordo previa pagamentos de R$ 1,8 milhão por ano durante três anos, alcançando R$ 5,4 milhões.
As apurações também apontaram possíveis irregularidades em contratos firmados pela Operadora Santa Casa Saúde, empresa controlada pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande, com empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico.
Segundo o MPMS, essas empresas tinham como proprietário uma pessoa com ligações com a diretoria da Santa Casa e estavam registradas no mesmo endereço. Durante as investigações, porém, foi constatado que o imóvel indicado como sede estava desocupado.
Somente em 2025, a Operadora Santa Casa Saúde teria realizado pagamentos de aproximadamente R$ 9,6 milhões às empresas. A investigação aponta que a operação teria provocado prejuízo de, no mínimo, R$ 3,5 milhões à entidade.
Ainda conforme o Ministério Público, contratos, pagamentos e prestações de contas teriam sido sistematicamente omitidos dos órgãos de controle, incluindo o Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado.
A investigação continua para esclarecer a origem dos recursos, a participação de cada envolvido e a extensão dos possíveis prejuízos causados à instituição.
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