Policial / Polícia
Alvo estava a caminho de 'emboscada' em garagem quando descobriu morte de Vitor Orsini
Segundo o SIG, homem de 39 anos era o verdadeiro alvo da emboscada e só descobriu durante as investigações que teria sido marcado para morrer
Da Redação*
O atraso de poucos minutos do homem que seria o verdadeiro alvo de uma execução teria provocado a morte, por engano, de Vitor Orsini, de 19 anos, em Dourados. Segundo o Setor de Investigações Gerais (SIG), o homem, de 39 anos, deveria estar na garagem onde o jovem foi morto, mas demorou para chegar ao local e desistiu de ir após saber do crime, publicou o site "Dourados News".
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De acordo com o delegado Lucas Veppo, responsável pelas investigações, o homem contou que realizava tarefas com a esposa e havia passado por uma loja de materiais de construção antes de seguir para a garagem. O encontro estava previsto para as 14h do dia 7 de agosto.
Quando se preparava para ir ao estabelecimento, ele recebeu a informação de que Vitor havia sido morto e decidiu não comparecer. Para a Polícia Civil, o atraso foi determinante para que os executores confundissem o jovem com a pessoa que deveriam atacar.
Alvo teria descoberto plano durante investigação
O homem de 39 anos inicialmente não teria percebido que era o verdadeiro alvo. A suspeita ganhou força após informações obtidas pela Polícia Civil e depoimentos colhidos ao longo do inquérito.
Segundo Veppo, o homem ficou abalado ao tomar conhecimento da situação e demonstrou preocupação com a possibilidade de ainda ser perseguido. Ele teria, inclusive, manifestado intenção de deixar Dourados por segurança.
A investigação aponta que, após retornarem a Ponta Porã, os executores teriam sido informados de que haviam atacado a pessoa errada e que precisariam voltar a Dourados para concluir o crime. A Polícia Civil afirma, porém, que ainda não é possível determinar se essa intenção permanece.
Dívida superior a R$ 300 mil é investigada
Uma possível motivação financeira também está sendo apurada. O homem apontado como alvo foi condenado por tráfico de drogas em 2014 juntamente com Claudio Henrique de Arruda, de 43 anos, empresário preso na sexta-feira (21), em Ponta Porã, suspeito de envolvimento na contratação do crime.
Em depoimento, o homem afirmou que o empresário teria uma dívida que começou em R$ 240 mil e atualmente ultrapassaria R$ 300 mil. Segundo ele, o prazo para pagamento era de três meses, mas o valor não teria sido quitado.
Apesar de afirmar que não realizava cobranças, o homem disse acreditar que a dívida possa ter motivado a tentativa de atraí-lo até a garagem.
A origem dos valores, eventual relação da dívida com atividades criminosas e a ligação entre os investigados continuam sendo apuradas. Telefones celulares e documentos apreendidos também serão submetidos à análise.
Polícia afirma ter confirmação de que Vitor não era o alvo
A Polícia Civil sustenta que há elementos concretos indicando que Vitor foi morto por engano. Conforme o delegado, o homem de 39 anos foi formalmente ouvido e confirmou que havia sido atraído para a garagem sob o argumento de participar da negociação de um veículo.
Além do depoimento, investigadores teriam confirmado informações sobre as características físicas e o veículo utilizado pelo verdadeiro alvo.
Os suspeitos apontados como executores também teriam realizado reconhecimento fotográfico e identificado o homem de 39 anos como a pessoa que deveriam encontrar no estabelecimento.
Mensagens no celular ajudaram investigação
A suspeita de que Vitor não seria o alvo surgiu durante a análise do telefone celular do jovem. Mensagens indicavam que outra pessoa deveria comparecer à garagem do pai dele por volta das 14h para tratar da negociação de um veículo.
Após a prisão de Denis Barbosa de Melo, de 25 anos, apontado como autor dos disparos, ele teria relatado à polícia que foi informado, ao retornar para Ponta Porã, de que a pessoa atacada não era o alvo pretendido.
A versão teria sido reforçada posteriormente pelo depoimento de Alexsander Gonçalves Borges, de 27 anos, apontado como condutor da motocicleta usada na ação.
Segundo a polícia, os investigados conheciam o verdadeiro alvo apenas por fotografias e não tinham vínculo anterior com ele. Os investigadores acreditam que a presença de Vitor na garagem, conversando com o pai exatamente no horário combinado para a suposta negociação, contribuiu para o erro de identificação.
Outros investigados seguem procurados
Além dos dois adultos presos, um adolescente de 17 anos foi apreendido sob suspeita de participação no apoio logístico e na obtenção da motocicleta utilizada no crime.
Marcos Antônio Omedo Vera, de 23 anos, e Jefferson Lopes, de 31 anos, seguem procurados e possuem mandados de prisão preventiva, segundo a Polícia Civil.
Vitor Orsini foi morto na garagem do pai, onde também trabalhava. A investigação aponta que os envolvidos teriam chegado ao local em uma motocicleta e deixado o estabelecimento logo após o ataque.
O inquérito permanece em andamento para esclarecer a participação de cada investigado, a motivação do crime e a identificação de todos os envolvidos. *As informações são do Dourados News
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