Incêndios no Pantanal mais que quadruplicam em 2026 e acendem alerta em MS

Área queimada chegou a 90,7 mil hectares até 18 de agosto; MPMS amplia monitoramento, prevenção e fiscalização por meio do programa Pantanal em Alerta

Da Redação


O avanço dos incêndios florestais no Pantanal sul-mato-grossense reforçou o alerta dos órgãos ambientais em 2026. Dados de monitoramento mostram que a área atingida pelo fogo neste ano já supera em mais de quatro vezes o volume registrado em período semelhante de 2025.

Entre 7 de janeiro e 18 de agosto de 2026, foram contabilizados 90.719,60 hectares queimados no bioma em Mato Grosso do Sul. No ano passado, entre 10 de janeiro e 16 de agosto, a área atingida havia sido de 21.935,60 hectares.

Diante do crescimento expressivo, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) intensificou as ações do Programa Pantanal em Alerta, desenvolvido em parceria com órgãos estaduais e voltado ao monitoramento, prevenção, fiscalização e responsabilização por incêndios florestais.

O programa utiliza imagens de satélite, análise geoespacial e integração de dados para identificar focos de calor em tempo quase real. As informações permitem direcionar equipes de combate e fiscalização e também são compartilhadas com proprietários rurais e brigadistas, aumentando as possibilidades de contenção do fogo ainda nas fases iniciais.

Uma das ferramentas utilizadas é um sistema desenvolvido pelo MPMS em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBMMS). A plataforma é aberta à população e permite que qualquer cidadão cadastre uma área de interesse para acompanhamento.

Após o cadastro, o usuário pode receber alertas sobre possíveis focos de incêndio nas proximidades da região indicada. As notificações são enviadas por e-mail ou mensagem no celular, facilitando o acompanhamento das ocorrências.

Além da tecnologia, o Pantanal em Alerta aposta na atuação conjunta de diferentes instituições. Participam das ações o MPMS, o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), a Polícia Militar Ambiental (PMA), o Corpo de Bombeiros, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Perícia Criminal e a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).

A integração busca não apenas combater os incêndios, mas também identificar as causas do fogo, reunir provas técnicas e possibilitar a responsabilização de eventuais infratores nas esferas cível e criminal.

Áreas prioritárias

Área atingida por incêndios no Pantanal sul-mato-grossense chegou a mais de 90,7 mil hectares em 2026 - Foto: MPE-MS

Outra frente do programa é a definição de propriedades consideradas prioritárias para ações preventivas e de educação ambiental.

A seleção é feita com base em geotecnologias e dados históricos, levando em conta critérios como recorrência de focos de ignição, histórico de incêndios, proximidade com Unidades de Conservação, presença de áreas ambientalmente sensíveis e registros de reincidência desde 2020.

Segundo o MPMS, o uso dessas informações tem permitido direcionar fiscalizações com maior precisão. Operações realizadas no âmbito do programa já utilizaram imagens de satélite e análises técnicas para subsidiar autuações por queima ilegal e aprofundar investigações sobre a origem dos incêndios.

Condições favorecem propagação do fogo

O cenário também preocupa pelas condições climáticas registradas no Pantanal. Estiagem prolongada, baixa umidade relativa do ar e temperaturas elevadas favorecem a rápida propagação das chamas e aumentam o risco de novos incêndios.

Com a área queimada em 2026 muito acima da registrada no ano anterior, órgãos de fiscalização e combate reforçam a necessidade de monitoramento permanente e resposta rápida.

O Pantanal em Alerta busca reunir tecnologia, inteligência territorial, fiscalização e participação da sociedade para reduzir os danos causados pelo fogo, identificar eventuais responsáveis e ampliar a proteção de um dos principais biomas do país.

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