Economia & Negócios / Agronegócios
Falta de vacinas na pecuária deve se estender até o início de 2027, alerta sindicato
Mesmo com medidas emergenciais adotadas pelo governo, a indústria afirma que a recomposição dos estoques ainda será gradual e exigirá atenção dos produtores nos próximos meses
Luis Gustavo, Da Redação*
A escassez de vacinas contra clostridioses continua afetando a pecuária brasileira e pode permanecer até o início de 2027. O alerta é do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), que aponta dificuldades para recompor os estoques diante do longo período necessário para a fabricação dos imunizantes.
O problema se agravou após a saída de fabricantes do mercado, reduzindo a oferta de vacinas utilizadas principalmente na prevenção de doenças que afetam os rebanhos bovinos. Em abril, o Ministério da Agricultura informou ter recebido relatos sobre a falta desses produtos, especialmente em Mato Grosso do Sul e Rondônia.
Para minimizar os impactos, o governo autorizou a fabricação e a importação emergencial das vacinas. Em julho, foram disponibilizadas 5,44 milhões de doses no mercado brasileiro, sendo 4,03 milhões importadas e 1,41 milhão produzidas no país.
Segundo o diretor técnico do Sindan, a recuperação dos estoques está em andamento, mas ainda não é possível afirmar que o problema foi totalmente resolvido. A expectativa é que o setor continue enfrentando faltas pontuais nos primeiros meses de 2027.
Outro desafio é a falta de um sistema nacional capaz de centralizar a demanda pelas vacinas. Para melhorar o planejamento, o sindicato passou a reunir informações fornecidas por distribuidores e secretarias estaduais de agricultura, com o objetivo de estimar a necessidade de cada região e criar estoques de segurança para o próximo ano.
A preocupação do setor é ainda maior porque as doenças causadas por bactérias do grupo das clostridioses podem provocar a morte rápida dos animais. Entidades ligadas ao agronegócio já haviam alertado, em maio, que a falta dos imunizantes aumentava o risco sanitário dos rebanhos e já havia provocado registros pontuais de mortalidade em alguns estados.
De acordo com o Sindan, não existe um substituto capaz de oferecer a mesma proteção proporcionada pela vacinação. Por isso, a recomendação é que os produtores acompanhem a disponibilidade dos imunizantes e mantenham o planejamento sanitário dos rebanhos nos próximos meses. *Com informações da CNN.
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