Policial / Polícia
Rotas aéreas ganham força no tráfico de cocaína entre Bolívia e Brasil
Uso de pistas clandestinas cresce com reforço da fiscalização nas rodovias; aeronaves podem transportar até meia tonelada da droga por viagem
Por R7
O tráfico de drogas entre a Bolívia e o Brasil tem ampliado o uso de rotas aéreas como alternativa para o transporte de grandes carregamentos de cocaína. A estratégia envolve pequenas aeronaves, pistas clandestinas e uma estrutura logística montada para reduzir o risco de interceptação pelas forças de segurança.
Em Mato Grosso, agentes do Grupo Especial de Fronteira (Gefron) interceptaram uma dessas operações ao identificar uma aeronave suspeita em uma pista improvisada. A ação ocorreu durante o amanhecer, com apoio de um helicóptero da corporação que acompanhava a movimentação na região.
Logo após o pouso do avião, os agentes realizaram a abordagem e renderam três suspeitos que estavam no local. Operações desse tipo podem representar prejuízo estimado em cerca de R$ 12 milhões para as organizações criminosas, considerando o valor das drogas, das aeronaves e de outros recursos empregados no transporte.
A estrutura do tráfico aéreo também envolve altos pagamentos aos pilotos. Segundo as informações disponíveis, profissionais recrutados para os voos ilegais podem receber até R$ 200 mil por viagem concluída, com o pagamento condicionado à entrega da carga no destino determinado pelos traficantes.
Somente neste ano, 11 aeronaves de pequeno porte teriam sido apreendidas na região em operações relacionadas ao tráfico, algumas delas transportando até meia tonelada de cocaína por viagem. Ao todo, cerca de seis toneladas da droga já teriam sido interceptadas em rotas aéreas utilizadas por grupos criminosos.
O aumento desse tipo de operação é atribuído, entre outros fatores, ao reforço da fiscalização nas estradas que ligam regiões próximas à fronteira com a Bolívia ao restante do território brasileiro. Com maior controle terrestre, organizações criminosas passaram a investir em aeronaves e pistas clandestinas para manter o fluxo de entorpecentes.
Em São Paulo, investigadores também identificaram um hangar clandestino que funcionava como ponto de apoio para aeronaves utilizadas em viagens com destino à Bolívia e ao Paraguai. O local fazia parte da estrutura empregada para abastecimento e organização dos voos ligados ao transporte de cocaína.
Conforme as informações da investigação, cerca de 90% dos carregamentos transportados por esse esquema tinham como destino inicial a capital paulista, de onde a droga seguiria para outros mercados, inclusive fora do país.
Estimativas apontam ainda para a existência de aproximadamente 3 mil pistas não autorizadas no Brasil, concentradas principalmente em estados como Mato Grosso, Pará e Roraima. Essas estruturas representam um desafio adicional às forças de segurança, que intensificam operações de inteligência, patrulhamento aéreo e fiscalização para identificar aeronaves, rotas e pontos utilizados pelo tráfico.
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