Aos 64 anos, caminhoneiro de Nova Andradina ganha nova chance de viver após transplante de fígado

Ivo Pascoski é o primeiro morador do município a passar pelo procedimento e, ainda internado em Campo Grande, já faz planos para voltar para casa, pescar e trabalhar

Da Redação


Aos 64 anos, o caminhoneiro Ivo Pascoski recebeu, no último dia 5 de agosto, o presente de aniversário mais inesperado e valioso de sua vida: uma nova chance de viver. Na mesma data em que completava 64 anos, Ivo entrava para a história de Nova Andradina como o primeiro morador do município a passar por um transplante de fígado.

A cirurgia foi realizada no Hospital Adventista do Pênfigo (HAP), em Campo Grande. Ivo permanece internado, em recuperação, mas já pensa na vida que pretende retomar quando voltar para casa: estar com a família, pescar e trabalhar novamente.

O aniversário, que poderia ser apenas mais uma data no calendário, ganhou para Ivo um significado que ele provavelmente jamais esquecerá. No dia em que comemorava mais um ano de vida, ganhou também a oportunidade de começar uma nova vida.

A história começou há cerca de um ano, quando Ivo recebeu o diagnóstico de cirrose hepática. Vieram os medicamentos, as viagens quinzenais a Campo Grande e procedimentos como a paracentese, necessária para aliviar o acúmulo de líquido no abdômen.

Com a evolução da doença, porém, o transplante passou a ser a única alternativa.

Há algumas semanas, Ivo entrou para a fila de transplante. Enquanto aguardava, foi internado no Hospital Regional de Nova Andradina após ser acometido por chikungunya, que agravou ainda mais seu estado de saúde.

Foi durante essa internação que recebeu a notícia que poderia mudar sua vida: havia um órgão compatível.

“Foi uma explosão de sentimentos. Vontade de chorar, de pular de alegria, de contar pra todo mundo que a espera tinha chegado ao fim”, lembra.

Um recomeço

Caminhoneiro de Nova Andradina ganha nova chance de viver após transplante de fígado – Foto: Arquivo pessoal

Para Ivo, a espera foi marcada por dor, dificuldade para andar e longos períodos na cama. Para a família, também foram meses de ansiedade e incerteza.

A irmã e o filho, Rosane e Luiz Fernando, acompanham todo o processo, a recuperação, e afirmam que a cirurgia foi um sucesso.

“Meu pai está se recuperando bem. Sente apenas uma oscilação na pressão, mas seu estado clínico geral é excelente, segundo a equipe médica. Ainda tem um longo caminho pela frente e terá que tomar medicamentos para evitar a rejeição do órgão pelo resto da vida. Mas o importante é que está vivo e ganhou uma nova oportunidade de viver.”

E Ivo já sabe o que quer fazer com essa oportunidade.

“Quero voltar a pescar, voltar a trabalhar, curtir os momentos em família. Foi graças a ela que consegui vencer essa batalha.”

A experiência também transformou Ivo em porta-voz de uma mensagem para quem ainda espera por um transplante: “Nunca desista, porque a sua hora vai chegar e a alegria é tão grande que não dá pra descrever.”

Ele também agradece o apoio recebido da vereadora Márcia Lobo, que, segundo ele, auxiliou a família nos encaminhamentos junto à saúde do município.

“Todos foram muito atenciosos, agilizaram tudo e hoje eu posso acreditar que existe um futuro para mim.”

Uma vida que recomeça

Caminhoneiro de Nova Andradina ganha nova chance de viver após transplante de fígado – Foto: Arquivo pessoal

O transplante que mudou a história de Ivo só foi possível porque alguém, em algum momento de dor, permitiu que a vida continuasse por meio da doação de órgãos.

O procedimento realizado em Ivo também tem um significado especial para Nova Andradina. Ele é o primeiro morador do município a receber um transplante de fígado — um pioneirismo que representa, acima de tudo, uma história de esperança.

Em Mato Grosso do Sul, o primeiro transplante hepático foi realizado em julho de 2024, no Hospital Adventista do Pênfigo. Desde então, o procedimento passou a oferecer uma nova possibilidade a pacientes que antes precisavam buscar tratamento fora do Estado.

Para Ivo, porém, toda essa história se resume a algo muito mais simples: ter a chance de viver.

E talvez por isso o dia 5 de agosto nunca mais seja apenas o dia do seu aniversário.

Foi o dia em que completou 64 anos.

Foi o dia em que recebeu um novo fígado.

E foi o dia em que ganhou, como presente, a oportunidade de começar de novo.

Aos 64 anos, depois de enfrentar uma doença grave e uma espera angustiante, o caminhoneiro voltou a fazer planos. E, desta vez, há um futuro para vivê-los.

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