Policial / Polícia
Morto em confronto em Ivinhema já havia sido denunciado por agredir e ameaçar ex-grávida
Registros na Deam apontam agressões recorrentes, tentativa de ataque contra a barriga da vítima e ameaças de morte; suspeito morreu após reagir à abordagem do Batalhão de Choque
Por Midiamax
André da Silva de Andrade Gama, de 22 anos, conhecido como "Jamaica", morto durante um confronto com policiais militares do Batalhão de Choque no último domingo (26), em Ivinhema, já havia sido denunciado por violência doméstica contra a ex-namorada. Os registros, feitos no ano passado na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Campo Grande, apontam uma série de agressões físicas, ameaças de morte e episódios de extrema violência, inclusive quando a vítima estava grávida de cinco meses.
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Na época dos fatos, o casal morava em Campo Grande e tinha uma filha de pouco mais de um ano, que, segundo os boletins de ocorrência, chegou a presenciar algumas das agressões. A vítima registrou dois boletins de ocorrência em dias consecutivos, relatando um histórico de violência recorrente.
Em um dos registros, ela informou ter sofrido lesões na mão esquerda e na cabeça, além de afirmar que o agressor tentou desferir golpes na região de sua barriga, mesmo sabendo da gestação. Conforme o relato, ele também utilizava objetos, como um cabo de vassoura, para agredi-la.
Durante os ataques, o suspeito teria dito frases como: "Que se foda se acertar sua barriga. Não estou nem aí", segundo consta nos registros policiais.
Em razão das lesões e das dores pelo corpo, a mulher precisou receber atendimento médico na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Vila Almeida. Na ocasião, também solicitou medidas protetivas de urgência.
Nova agressão e ameaça de morte
No dia seguinte, ainda na mesma semana, a vítima voltou a acionar a Polícia Militar após sofrer novas agressões.
De acordo com o boletim de ocorrência, André chegou à residência arrancando a extensão da televisão e danificando a fiação. Em seguida, passou a ameaçá-la de morte, chamando-a de "cagueta" em referência à denúncia registrada anteriormente.
Ainda conforme o relato, ele desferiu um golpe de faca em direção à vítima. O ataque não a atingiu, mas a lâmina passou próxima da filha do casal, que estava no colo da mãe.
Após a tentativa de agressão, o suspeito fugiu do imóvel. Policiais realizaram buscas na região, porém ele escapou pulando os muros de diversas residências.
Diante da gravidade dos fatos, a mulher voltou a solicitar medidas protetivas e pediu acolhimento na Casa da Mulher Brasileira, informando que não possuía familiares em Campo Grande.
Confronto em Ivinhema
André morreu na tarde de domingo (26), durante uma ocorrência registrada no bairro Vitória, em Ivinhema. Na mesma ação também morreu Lucas Maciel Nunes, de 21 anos.
Segundo o boletim de ocorrência, equipes do Batalhão de Choque realizavam patrulhamento quando visualizaram um homem consumindo uma substância semelhante à maconha em frente a uma residência. Ao receber ordem de abordagem, ele correu para o interior do imóvel.
Os policiais entraram na residência e localizaram o suspeito, posteriormente identificado como Lucas, escondido atrás de uma árvore. Conforme o registro policial, ele desobedeceu às ordens da equipe e efetuou disparos contra os militares, que reagiram.
Durante a continuidade das buscas no imóvel, André, conhecido como "Jamaica", saiu de uma edícula nos fundos da residência armado com uma pistola. Ainda de acordo com a versão registrada no boletim de ocorrência, ele também reagiu à abordagem e foi baleado.
Os dois suspeitos chegaram a ser socorridos com sinais vitais e encaminhados a uma unidade de saúde, mas não resistiram aos ferimentos.
Armas e drogas apreendidas
Durante a ação, os policiais apreenderam:
- Um revólver Taurus calibre .38, com seis munições, sendo uma deflagrada e cinco intactas;
- Uma pistola Smith & Wesson calibre 9 mm, municiada com nove munições intactas;
- Um tablete de maconha, pesando aproximadamente um quilo;
- Dezessete porções de drogas, totalizando cerca de 70 gramas, entre haxixe, cocaína e pasta base de cocaína.
As circunstâncias da intervenção policial são investigadas conforme o procedimento padrão adotado para ocorrências com resultado morte decorrente de intervenção policial.
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