Cidades & Região / Mato Grosso do Sul
Reinaldo cobra conclusão de mais de 11 mil obras federais paralisadas
Ex-governador afirma que conclusão da unidade de Campo Grande demonstra a importância de planejamento, fiscalização e continuidade administrativa
Da Redação
O ex-governador de Mato Grosso do Sul Reinaldo Azambuja defendeu maior fiscalização e eficiência na retomada de obras públicas federais paralisadas. Ao abordar o problema, ele citou a conclusão do Hospital do Trauma de Campo Grande como exemplo de empreendimento retomado após décadas de interrupções.
Dados apresentados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) mostram que, até abril de 2025, 11.469 das 22.621 obras financiadas com recursos federais estavam paralisadas. O número representa 50,7% dos empreendimentos mapeados pelo órgão. Educação e saúde concentravam 70% das paralisações.
Segundo o TCU, aproximadamente R$ 15,9 bilhões já haviam sido investidos nas obras que permaneciam interrompidas. O cenário, conforme o órgão de controle, compromete a prestação de serviços públicos e amplia o risco de desperdício de recursos.
Para Reinaldo, a experiência do Hospital do Trauma demonstra que obras antigas podem ser concluídas quando há articulação entre diferentes esferas do poder público.
“O Hospital do Trauma é a prova de que uma obra esquecida pode ser retomada e transformada em serviço para a população. O Governo Federal precisa avançar na conclusão dos empreendimentos paralisados, porque o dinheiro público deve retornar ao cidadão em forma de atendimento e infraestrutura”, afirmou.
A construção da unidade de trauma começou na década de 1990 e enfrentou sucessivas interrupções. As obras foram retomadas em 2016 e o prédio foi entregue em março de 2018, após uma parceria entre os governos estadual e federal, a Prefeitura de Campo Grande e a Associação Beneficente de Campo Grande, responsável pela Santa Casa.
Instalada ao lado da Santa Casa, a estrutura foi projetada para ampliar os atendimentos de urgência e emergência, especialmente nas áreas de ortopedia e politraumatismo. Na entrega, a unidade contava com leitos de internação e UTI, salas cirúrgicas, espaços de observação e equipamentos para exames de imagem.
Reinaldo também mencionou grandes projetos nacionais marcados por atrasos e aumento de custos, como a Ferrovia Transnordestina e a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. No caso da refinaria, o primeiro conjunto de unidades começou a operar em 2014. A instalação produz principalmente diesel e passa por expansão para ampliar sua capacidade de processamento.
O ex-governador defendeu que o Senado intensifique o acompanhamento dos recursos destinados às obras públicas, cobrando cronogramas, transparência e justificativas para eventuais paralisações.
“O papel do Senado não deve se limitar à destinação de recursos. É preciso fiscalizar a execução, acompanhar os prazos e exigir que as obras iniciadas sejam entregues à população”, declarou.
Um estudo divulgado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção em 2018 estimou que a conclusão de obras públicas paralisadas poderia acrescentar até R$ 215,6 bilhões à economia. Por se tratar de uma projeção elaborada há oito anos, o valor não representa necessariamente o impacto financeiro do atual conjunto de obras identificado pelo TCU.
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