Polícia Científica orienta idosos sobre golpes digitais em Campo Grande

Palestra do Junho Prata reforçou cuidados com links suspeitos, pedidos de Pix e proteção de dados pessoais

Da Redação


Horas antes de participar de uma palestra sobre golpes digitais, o aposentado Nilson João Neves, de 73 anos, recebeu no celular uma mensagem pedindo atualização de cadastro. Como nunca havia feito aquele cadastro, desconfiou do link e bloqueou o número.

O caso resumiu uma das principais orientações repassadas pela Polícia Científica de Mato Grosso do Sul (PCi-MS), na terça-feira (23), durante ação na Associação Amor pela Vida, em Campo Grande: diante de mensagens suspeitas, pedidos urgentes ou promessas de vantagem, a recomendação é interromper o contato e confirmar a informação antes de clicar em links, fornecer dados ou transferir dinheiro.

Promovida pelo Núcleo de Computação Forense, a palestra reuniu 22 pessoas idosas e integrou as atividades do Junho Prata, campanha voltada à valorização e proteção dessa população.

Polícia Científica orientou pessoas idosas sobre golpes digitais durante ação do Junho Prata em Campo Grande - Fotos: Maria Ester Jardim Rossoni/PCi-MS

Durante a atividade, o perito criminal Jefferson Lucena, especialista em Computação Forense e Segurança da Informação, explicou que criminosos costumam explorar o medo, a pressa, a confiança e a promessa de vantagem para aplicar golpes. Entre os exemplos citados estão pedidos urgentes de Pix, falsos familiares que dizem ter mudado de número, links enviados por SMS, perfis falsos e ofertas com preços muito abaixo do mercado.

Também foram abordados casos em que fotos, áudios e vídeos são usados para simular pessoas conhecidas. A orientação é confirmar qualquer solicitação por outro canal, usando um número já conhecido ou meios oficiais da empresa ou instituição envolvida.

O perito recomendou ainda ativar a autenticação em duas etapas, criar senhas fortes, manter aplicativos atualizados e evitar a exposição excessiva de informações pessoais em perfis públicos.

Além da prevenção, os participantes receberam orientações sobre como agir caso sejam vítimas de golpe. Conversas, áudios, números de telefone, perfis, links, horários e comprovantes devem ser preservados, pois podem servir como vestígios digitais para a investigação. A vítima também deve comunicar rapidamente o banco ou plataforma envolvida, bloquear cartões, alterar senhas, avisar familiares e registrar ocorrência.

Nilson, que já foi vítima de golpe bancário, afirmou que a tecnologia facilita a rotina, mas exige atenção. “Hoje em dia é necessário aprender. Tem que saber para não cair em golpe”, disse.

A esposa dele, Jane da Silva São Romão, de 76 anos, também destacou a importância do alerta. “Deu para a gente ficar mais alerta com tudo o que vem acontecendo. Foi uma tarde maravilhosa de aprendizagem”, afirmou.

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