Filosofo de Taubaté

*Felipe Pereira


Em Taubaté, cidade conhecida pelas suas peculiaridades peculiares, reside nosso amado filósofo Dr. Migué, responsável pelo departamento 171 de filosofia da magnifica UCAI (Universidade Contemporânea dos Abstêmios Intelectuais).

O Dr. Migué é amplamente reconhecido pelas suas palestras brilhantes, imponentes e capazes de transformar as mentes pueris de nossos jovens taubateenses. Transcorro, para deleite do leitor desse relato do nosso brilhante filósofo, alguns trechos de uma de suas enganações, quer dizer, exposições:

“Magníficos, Magníficas, Magnificentes, Magnânimos, Magnifiquíssimos... (Perdão, meu querido leitor, vou poupar vocês dessa enrolação do nosso famigerado Dr. Migué. Esqueci de alertá-los que uma das partes mais magnânimas de suas conferências é sua magnífica abertura, cheia de magnificências. Bom, sem mais enrolações, o trecho abaixo):

‘Com grande alegria falo a vós, seres dotados de míseras capacidades cognitivas, para expor a vós minhas maravilhosas descobertas acerca da dotada inabilidade de inércia psíquica de meus famosos feitos fantásticos de reprodução do intelecto estruturado na verdade subjetiva de minha vontade. Meus Magníficos, Magníficas, Magnificentes, Magnânimos, Magnifiquíssimos...”

Como podem perceber os leitores, o Dr. Migué, grande filósofo da UCAI, possui uma dotada retórica e manejo das palavras que deixaria o sábio Sócrates com inveja. Como disse o próprio doutor em uma de suas palestras:

“Magníficos, Magníficas, Magnificentes, Magnânimos, Magnifiquíssimos... (Acho que vocês já entenderam o quanto o Dr. Migué é verborrágico em suas aberturas).

‘Como trago a vós, seres prendados de pura significância efêmera. Se Sócrates visse-me em tal estado de iluminação, pedir-me-ia ardentemente meu saber. Se o Dr. Freud, esse mesmo magnânimo homem que desvendou os mistérios obscuros dos escombros mentais, despendesse de cinco minutos de seu tempo com minha resplandecente pessoa, teria ele encontrado uma fonte riquíssima de descobertas para sua teoria psicanalítica.”

O querido leitor perceberá (ou não) que o filósofo de Taubaté é um grande pensador; diria eu que nem mesmo os maiores oradores modernos e da antiguidade, com seus mais requintados sofismas, teriam a capacidade que tem o nosso filósofo da UCAI.

Pode o Dr. Migué encontrar seus críticos, principalmente aqueles que são pobres culturalmente e não apreciam o verdadeiro saber profundo que é ensinado pelo ilustre doutor. Esses críticos dizem que da boca do nosso filósofo somente saem besteiras bonitas, uma “merda perfumada”, como disse o Dr. Barrafunda em seu livro “Crítica aos Filósofos de Quintais”. Mas nosso Dr. Migué não deixou quieto e, em uma outra de suas conferências, falou:

“Magníficos, Magníficas, Magnificentes, Magnânimos, Magnifiquíssimos...

‘Dr. Barrafunda não tem em seu repertório linguístico a oração necessária para descrever minhas magniloquências.”

Obviamente, o filósofo do departamento 171 foi ovacionado de pé, por sua coragem e repertório indiscutivelmente ricos. Nessa mesma palestra prometeu ele candidatar-se na próxima eleição para prefeito, para não privar o povo de Taubaté de suas magnificências magníficas.

Bom, quem tem razão, o Dr. Migué ou o Dr. Barrafunda, não posso dizer. Cabe a mim apenas descrever sobre esse importante nome da filosofia taubateense. Deixo a seu encargo, amigo leitor, persuadir-se ou não pelo nosso amado deturpador, digo, perdão, doutor.

*Formado em psicanálise pelo Instituo Brasileiro de Psicanálise Clínica, atua como psicoterapeuta e é pós-graduado em Psicologia Organizacional

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornal da Nova. 

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