Policial / Polícia
Foragida de operação contra tráfico internacional se entrega à PF em Minas Gerais
Investigação aponta que grupo liderado por “Serjão do PCC” usava rota pelo Mato Grosso do Sul para levar cocaína do Paraguai até Uberlândia
Por G1
Bruna Nunes, apontada como foragida da "Operação Mens Occulta", se entregou à Polícia Federal na tarde de quinta-feira (4), em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Ela é investigada por suposta participação em um esquema de tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro liderado pelo pai, Mario Sergio Nunes, conhecido como “Serjão do PCC”.
A investigação tem conexão direta com Mato Grosso do Sul. Segundo a Polícia Federal, a organização criminosa trazia cocaína do Paraguai para o Brasil, com entrada pelo território sul-mato-grossense, escondida em caminhões. Depois, a droga seguia para Uberlândia, em Minas Gerais, onde era recebida, armazenada e distribuída para outras cidades e estados.
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Bruna se apresentou à PF acompanhada da mãe, Maria Lourdetis Ferreira Silva Nunes, que também é investigada, mas não foi alvo de mandado de prisão. Após se entregar, ela foi encaminhada à Penitenciária Professor Pimenta da Veiga, em Uberlândia, onde permanece à disposição da Justiça.
De acordo com o delegado Felipe Martins Perez Garcia, Bruna afirmou que queria ficar junto da irmã no presídio. A irmã citada é Brenda Nunes, presa anteriormente em um hotel de Uberaba, junto com o pai. Para a PF, Mario Sergio Nunes e as filhas Brenda e Bruna formavam o núcleo principal da organização criminosa.
Segundo a Polícia Federal, Bruna teria participação ativa no esquema. A investigação aponta que ela atuava como intermediária na comunicação entre integrantes do grupo e utilizava contas bancárias para movimentações financeiras consideradas suspeitas. A PF também identificou um padrão de vida incompatível com a renda formal declarada pela investigada, de R$ 3.750 mensais.
Entre os bens citados pela apuração está um veículo avaliado em cerca de R$ 130 mil, que teria sido pago pelo pai. A PF também afirma que, entre março e maio de 2023, foram registradas movimentações atípicas na conta de Bruna, sem justificativa compatível com sua renda. Os valores, conforme os investigadores, teriam sido usados para bancar despesas mensais de Mario Sergio Nunes, estimadas em até R$ 30 mil.
A "Operação Mens Occulta" apura um esquema estruturado como uma “empresa do tráfico”, com uso de caminhões, carretas, transportadoras, motoristas recrutados, contas de terceiros e empresas de fachada para transportar cocaína e ocultar patrimônio. A rota investigada ligava estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia a Minas Gerais.
Em um ano de investigação, mais de 2 toneladas de cocaína ligadas ao grupo foram apreendidas em nove grandes ações policiais. Mesmo assim, a PF afirma que o volume representa apenas uma pequena parte dos entorpecentes movimentados pela organização.
A Polícia Federal também apura movimentações financeiras de aproximadamente R$ 70 milhões sem origem compatível nos últimos cinco anos. Durante a operação, foram apreendidos veículos importados, embarcações, motos aquáticas, propriedades rurais, um motorhome de luxo avaliado em cerca de R$ 1,2 milhão, além de um cavalo de competição avaliado entre R$ 50 mil e R$ 100 mil.
Para os investigadores, Brenda Nunes exercia papel de destaque na estrutura criminosa e seria o braço direito do pai. Mario Sergio e Brenda foram presos em um hotel de Uberaba durante o cumprimento dos mandados. A PF suspeita que eles planejavam uma possível fuga.
A defesa da família Nunes informou que Bruna se apresentou espontaneamente à Polícia Federal, demonstrando respeito às autoridades e ao andamento da investigação. Em nota, os advogados afirmaram preocupação com a falta de acesso aos autos e defenderam o respeito ao devido processo legal, ao contraditório, à ampla defesa e ao controle judicial da prisão. Por se tratar de procedimento sigiloso, a defesa informou que não irá se manifestar sobre o mérito dos fatos neste momento.
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