Nacional & Geral / Tecnologia
IA transforma funções, mas ainda não substitui trabalhadores por completo
Empresas automatizam tarefas específicas com inteligência artificial, enquanto especialistas apontam mudança nas habilidades exigidas dos profissionais
Luis Gustavo, Da Redação*
O avanço da inteligência artificial (IA) tem aumentado o temor de substituição de trabalhadores humanos, especialmente diante de demissões em empresas de tecnologia e da rápida adoção de sistemas automatizados no ambiente corporativo. Apesar disso, especialistas afirmam que a tecnologia ainda está longe de eliminar completamente a maioria das profissões.
Segundo relatório recente da Microsoft, a ansiedade em torno da IA no mercado de trabalho envolve desde o medo de perder o emprego até a pressão para acompanhar a evolução tecnológica. No entanto, a tendência observada nas empresas é a automação de partes específicas das funções, e não a substituição integral dos cargos.
A sócia sênior da McKinsey & Company, Alexis Krivkovich, afirmou que poucos empregos podem ser totalmente automatizados com a tecnologia atual. De acordo com pesquisa da consultoria, a IA é capaz de automatizar até 57% das atividades relacionadas ao trabalho, mas distribuídas em diferentes tarefas e responsabilidades dentro das organizações.
Empresas de consultoria também relatam ganhos de produtividade sem necessidade de cortes proporcionais no quadro de funcionários. O cofundador da Incedo, Nitin Seth, afirmou que clientes conseguem elevar a produtividade entre 20% e 25% com IA, embora a tecnologia execute apenas partes das funções exercidas pelos profissionais.
A indústria de tecnologia aparece entre as mais impactadas pela transformação. Pesquisas apontam que a maioria dos engenheiros de software já utiliza ferramentas de IA para auxiliar na escrita de código. Ainda assim, especialistas destacam que a profissão envolve outras atividades, como revisão de sistemas, solução de problemas e planejamento de projetos.
O chefe da Claude Code, Boris Cherny, acredita que o conceito tradicional de “engenheiro de software” pode mudar nos próximos anos, dando lugar a funções mais amplas ligadas à construção e supervisão de sistemas apoiados por inteligência artificial.
Profissionais da área relatam que as habilidades mais valorizadas agora envolvem pensamento crítico, capacidade de resolver problemas e avaliação da qualidade do trabalho produzido pela IA. A execução das tarefas, segundo eles, passou a combinar programação tradicional com instruções direcionadas às ferramentas inteligentes.
Mesmo sem substituir totalmente os trabalhadores, a IA já aparece ligada a milhares de demissões. Dados da empresa Challenger, Gray & Christmas apontam que mais de 49 mil cortes de empregos neste ano tiveram relação com a adoção da tecnologia.
Especialistas, porém, avaliam que o mercado ainda vive uma fase de adaptação. Empresas seguem tentando entender quais atividades devem permanecer sob responsabilidade humana e quais podem ser automatizadas. Ao mesmo tempo, novos sistemas de IA continuam sendo desenvolvidos para executar tarefas administrativas e operacionais cada vez mais complexas. *Com informações da CNN.
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