Expedição leva acesso a direitos e transforma rotina de família ribeirinha na Serra do Amolar

Em região isolada do Pantanal, emissão de cadastro permitiu financiamento e melhoria na logística de pesca

Luis Gustavo, Da Redação*


Na borda mais isolada do Pantanal sul-mato-grossense, a Serra do Amolar revela uma realidade em que o acesso não se mede em quilômetros, mas em horas de viagem. Sem estradas, o deslocamento é feito pelos rios ou pelo céu, tornando o cotidiano das famílias ribeirinhas um desafio constante, especialmente quando se trata de acessar serviços básicos e políticas públicas.

 

Entre os moradores da região está a pescadora profissional Edilaine Nogales de Arruda, que por anos enfrentou dificuldades para regularizar a documentação necessária à atividade. A distância até Corumbá, município mais próximo, era um dos principais entraves.

 

“Como nós somos ribeirinhos, temos o privilégio de sermos pescadores profissionais. Sou filiada a uma colônia, e por meio dela me orientaram sobre o CAF (Cadastro da Agricultura Familiar). Para termos a possibilidade de investimento, melhorar os equipamentos de pesca, motor e ter os benefícios”, relata.

 

A realidade começou a mudar durante a 10ª Expedição Pantanal, realizada no ano passado. A iniciativa contou com a participação da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer), que levou atendimento diretamente às comunidades isoladas. Durante a ação, o extensionista Isaque Pécora de Andrade permaneceu dias embarcado e retornou com 45 novos cadastros realizados.

 

Com o documento em mãos, Edilaine conseguiu acessar financiamento por meio do Pronaf B, possibilitando a compra de um motor para o barco da família. A melhoria impactou diretamente a rotina de trabalho e a geração de renda.

 

“Antes da melhoria, o pescado muitas vezes não passava da porta de casa. A venda dependia de quem chegasse. Agora conseguimos transportar o nosso produto. Só nos trouxe melhoria”, afirma.

 

Além de ampliar as possibilidades de comercialização, o novo equipamento reduziu significativamente o tempo de deslocamento até a cidade. “Melhorou muito a nossa logística. Agora em caso de uma emergência, consigo chegar mais rápido com minha família até a cidade”, completa.

 

Mais do que agilidade, a mudança trouxe autonomia. A família passou a decidir quando e como escoar a produção, transformando o rio — antes obstáculo — em caminho para oportunidades.

 

A atuação da Agraer na expedição destacou a importância de levar políticas públicas até regiões de difícil acesso. Em locais como a Serra do Amolar, o atendimento exige planejamento e disposição para superar barreiras geográficas.

 

A história de Edilaine exemplifica como ações pontuais podem gerar impactos duradouros. Mais do que a aquisição de um motor, o resultado representa dignidade, aumento de renda e a possibilidade de permanecer no território por escolha.

 

A Agraer segue presente em todos os municípios de Mato Grosso do Sul, com o compromisso de fortalecer práticas sustentáveis e apoiar produtores rurais. Interessados em iniciar ou aprimorar atividades podem buscar atendimento nos escritórios da instituição e receber orientação de extensionistas. *Com informações da Agraer.

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