Emprego com carteira assinada segue como preferência entre brasileiros, aponta pesquisa

Pesquisa da CNI revela que estabilidade e direitos trabalhistas ainda são decisivos na escolha por uma vaga

Luis Gustavo, Da Redação*


Apesar do barulho nas redes sociais sobre novas formas de trabalho, o emprego com carteira assinada continua sendo a principal escolha dos brasileiros na busca por uma vaga. É o que mostra pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), indicando que o modelo formal, regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), foi apontado como o mais atrativo por mais de um terço dos trabalhadores.

 

Segundo o levantamento, o acesso a direitos trabalhistas e à Previdência Social segue como um diferencial importante, mesmo diante do crescimento de modalidades mais flexíveis, como trabalhos por aplicativos e serviços autônomos.

 

De acordo com a especialista em Políticas e Indústria da CNI, Claudia Perdigão, a segurança ainda pesa na decisão dos trabalhadores. “Embora novas modalidades estejam crescendo, o trabalhador ainda valoriza estabilidade e proteção social, que continuam sendo um diferencial relevante”, destacou.

Principais dados

A pesquisa mostra que:

  • 36,3% preferem emprego com carteira assinada (CLT);

  • 18,7% apontam o trabalho autônomo como melhor opção;

  • 12,3% consideram o emprego informal mais atrativo;

  • 10,3% têm interesse em trabalho por plataformas digitais;

  • 9,3% preferem abrir o próprio negócio;

  • 6,6% optam por atuar como pessoa jurídica (PJ);

  • 20% não encontraram oportunidades atrativas.

Jovens priorizam estabilidade

Entre os mais jovens, a preferência pelo emprego formal é ainda maior. O estudo aponta que:

  • 41,4% dos trabalhadores de 25 a 34 anos preferem a CLT;

  • 38,1% dos jovens de 16 a 24 anos também priorizam esse modelo.

A tendência reflete a busca por segurança no início da vida profissional.

Renda extra com aplicativos

O trabalho em plataformas digitais, como transporte e entrega, aparece principalmente como complemento de renda. Apenas 30% dos entrevistados afirmaram depender dessa atividade como principal fonte de sustento.

Alto nível de satisfação

O levantamento também revela um cenário de satisfação no mercado de trabalho:

  • 95% estão satisfeitos com o emprego atual;

  • 70% se dizem muito satisfeitos;

  • 4,6% estão insatisfeitos;

  • 1,6% muito insatisfeitos.

Esse nível elevado ajuda a explicar a baixa mobilidade no mercado:

  • 20% buscaram outro emprego recentemente;

  • 35% dos jovens de 16 a 24 anos procuraram nova vaga;

  • apenas 6% dos trabalhadores com mais de 60 anos fizeram o mesmo.

O tempo na função também influencia a busca por novas oportunidades:

  • 36,7% dos que têm menos de um ano de trabalho buscaram outra vaga;

  • entre os que estão há mais de cinco anos no mesmo emprego, apenas 9% fizeram essa busca.

Realizada pelo Instituto Nexus em parceria com a CNI, a pesquisa ouviu 2.008 pessoas com 16 anos ou mais em todo o país, entre os dias 10 e 15 de outubro de 2025. *Com informações da Agência Brasil.

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