Garras investiga esquema milionário envolvendo engenheiros em obras de luxo e apreende R$ 700 mil

Ação do GARRAS cumpre mandados em MS e SP e apura fraudes que teriam causado prejuízo de R$ 5 milhões a incorporadora imobiliária

Da Redação


A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul deflagrou, na terça-feira (3), a "Operação Abalo Sísmico", com o objetivo de cumprir mandados judiciais de busca e apreensão e aprofundar as investigações sobre um suposto esquema criminoso envolvendo obras de alto padrão em Campo Grande. A ação foi conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras), com apoio da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar), Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf), Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos (Defurv) e Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídio e de Proteção à Pessoa (DHPP).

As diligências ocorreram simultaneamente em Campo Grande, além dos municípios paulistas de Sorocaba, Campinas e Votorantim, totalizando o cumprimento de 11 mandados de busca domiciliar — sete na Capital sul-mato-grossense e quatro no estado de São Paulo.

As investigações apontam para um esquema que teria sido articulado por engenheiros de uma grande incorporadora imobiliária, responsáveis pela construção de edifícios de luxo, em conluio com empresas terceirizadas de transporte, perfuração de solo e execução de fundações prediais. Segundo a Polícia Civil, o grupo teria se aproveitado da confiança da empresa vítima para praticar uma série de ilícitos durante a execução das obras.

Dinheiro apreendido na operação - Fotos : Polícia Civil/Divulgação

No inquérito, são apurados os crimes de furto qualificado mediante fraude e abuso de confiança, estelionato, associação criminosa e lavagem de capitais. O prejuízo estimado à incorporadora chega a aproximadamente R$ 5 milhões.

Com base nos elementos reunidos ao longo da investigação, o GARRAS representou por medidas cautelares, deferidas pelo Poder Judiciário. Além das buscas, foram impostas medidas cautelares alternativas à prisão a seis investigados, com idades entre 34 e 67 anos, incluindo a proibição de contato entre os suspeitos e a restrição de saída da comarca sem autorização judicial.

Durante as diligências, os policiais apreenderam cerca de R$ 700 mil em dinheiro na residência de um dos investigados, além de aparelhos celulares que serão analisados para aprofundamento das apurações. Em um dos imóveis, também foi localizada uma arma de fogo calibre .22 e munições, sem registro legal, o que resultou na prisão em flagrante de um suspeito de 43 anos por posse ilegal de arma de fogo de uso permitido.

O nome da operação, “Abalo Sísmico”, faz referência simbólica à atuação da investigação: uma força direcionada ao subsolo, local onde eram executadas as fundações dos edifícios, com o propósito de trazer à tona as irregularidades ocultas que teriam causado prejuízo milionário à incorporadora.

As investigações seguem em andamento para a completa elucidação dos fatos e a responsabilização dos envolvidos.

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