Preço do ovo dispara em janeiro e tem alta de quase 60%, indica Cepea

Depois de um período de preços baixos, ovos voltam a subir; entenda os motivos da alta

Por Band


O ovo fechou o ano passado como a proteína de origem animal mais barata do mercado brasileiro. Agora, porém, os preços voltaram a subir e isso está acontecendo devido ao comportamento do consumidor. Com o orçamento mais apertado em janeiro, os brasilerios aumentaram significativamente a demanda por ovos, o que motivou a alta de preços. Na primeira quinzena de janeiro, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Usp), o reajuste já supera 60%. Em todas as regiões do país, o consumidor já começa sentir a alta do ovo.

De acordo com o levantamento, a valorização foi intensa e concentrada. Somente na última semana analisada, entre os dias 7 e 14 de janeiro, as cotações do produto subiram quase 60%. O movimento de alta é atribuído diretamente ao comportamento do consumidor na ponta final da cadeia. Segundo os pesquisadores, houve uma melhora significativa no ritmo de vendas no varejo, o que aqueceu a demanda e puxou os preços para cima desde a granja até as gôndolas.

O "efeito janeiro" no consumo

A disparada nos preços, embora expressiva, tem uma explicação econômica conhecida no setor e que afeta diretamente o bolso das famílias brasileiras. Tradicionalmente, o mês de janeiro é marcado por um orçamento doméstico mais apertado. Após os gastos com festas de fim de ano e viagens, chegam as despesas sazonais obrigatórias, como IPVA, IPTU e compra de material escolar.

Nesse cenário, é comum que o consumidor busque alternativas mais econômicas para a alimentação diária. Ocorre, então, o chamado "efeito substituição": as carnes mais nobres (bovina e cortes suínos mais caros) dão lugar a proteínas mais acessíveis. O ovo, sendo a proteína mais barata disponível no mercado, torna-se a primeira opção de compra para muitas famílias, elevando a procura e, consequentemente, o preço.

Valores ainda estão abaixo da média

Apesar da reação agressiva do mercado na última semana, o Cepea faz uma ressalva importante quanto à rentabilidade do produtor na análise de médio prazo. Os dados mostram que, mesmo com essa alta de quase 60%, os valores médios praticados em janeiro de 2026 ainda não superaram os patamares anteriores.

As cotações atuais seguem abaixo das médias verificadas em dezembro. Além disso, ao comparar com o mesmo período de um ano atrás, os preços também estão inferiores. Isso indica que, embora o momento seja de recuperação e alívio para as margens dos avicultores, o setor ainda trabalha para recuperar perdas recentes.

O que esperar para as próximas semanas

Para o produtor rural e para o mercado atacadista, a expectativa é de manutenção do fluxo de vendas enquanto o poder de compra da população estiver comprometido com as contas de início de ano.

O avicultor deve ficar atento ao equilíbrio entre oferta e demanda. Se o consumo se mantiver aquecido, a tendência é que os preços encontrem um novo patamar de estabilidade, permitindo uma melhor remuneração para quem produz, sem inviabilizar a compra por parte do consumidor final, que busca no ovo sua principal fonte de proteína neste mês.

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