Saúde alerta para riscos de canetas emagrecedoras irregulares

Crescimento da obesidade no Estado e venda clandestina de medicamentos na fronteira acendem preocupação sobre uso seguro e acompanhamento adequado

Luis Gustavo, Da Redação*


Com o aumento dos casos de obesidade e a circulação clandestina de canetas emagrecedoras na região de fronteira, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) voltou a alertar a população sobre os perigos do uso de medicamentos irregulares para perda de peso. A pasta reforça que qualquer tratamento deve seguir diretrizes clínicas reconhecidas e ser acompanhado por profissionais habilitados.

 

Segundo a Cvisa (Coordenação de Vigilância Sanitária Estadual), versões manipuladas, importadas sem receita ou vendidas em clínicas e redes sociais não passam por controle de qualidade. Esses produtos podem conter impurezas, toxinas e até bactérias, representando risco grave à saúde, com possibilidade de reações adversas, intoxicações e até morte.

 

“Essas canetas importadas sem registro na Anvisa não têm qualquer garantia de eficácia e segurança. É fundamental que a população busque orientação médica e evite medicamentos de origem duvidosa. A prevenção da obesidade deve estar baseada em informação, acompanhamento e hábitos saudáveis, não em promessas rápidas”, afirmou o farmacêutico Alexandre Tutes, da Vigilância Sanitária Estadual.

 

Denúncias de comercialização irregular podem ser feitas diretamente à Vigilância Sanitária.

Cenário da obesidade em Mato Grosso do Sul

A obesidade está entre as condições crônicas mais acompanhadas pela Atenção Primária à Saúde (APS). O excesso de peso está associado a doenças como diabetes, hipertensão, dislipidemias e alguns tipos de câncer, que representam grande parte da demanda no SUS.

 

Dados do Ministério da Saúde mostram que a proporção de adultos com obesidade cresceu 72% entre 2006 e 2023. Em Mato Grosso do Sul, números do SISVAN (2024) revelam que, entre 432.773 pessoas avaliadas, 32,76% apresentaram sobrepeso, 23,06% obesidade grau I, 10,36% obesidade grau II e 5,99% obesidade grau III. Apenas 25,94% tinham IMC dentro da faixa considerada adequada.

 

Como parte do enfrentamento ao problema, a SES publicou em 2024 a Linha de Cuidado do Sobrepeso e Obesidade (LCSO), que busca aprimorar processos, estruturar fluxos e ampliar ações integradas entre os níveis de atenção. A implementação ocorre de forma progressiva nos territórios, com apoio técnico às equipes de saúde para fortalecer estratégias de prevenção, promoção e tratamento.

 

O Ministério da Saúde informou que as chamadas canetas emagrecedoras ainda não foram incorporadas ao SUS devido ao alto impacto financeiro.

Orientação e cuidado contínuo

A SES destaca que o combate à obesidade envolve ações em toda a rede de atenção à saúde — da promoção de hábitos saudáveis à reabilitação. A alimentação adequada é uma das frentes mais importantes, com incentivo ao consumo de alimentos in natura e criação de ambientes que favoreçam escolhas saudáveis.

 

A pasta reforça que medicamentos não registrados, manipulados em larga escala ou comprados sem prescrição são ilegais e oferecem riscos graves. O acompanhamento profissional é indispensável para garantir segurança e eficácia nos tratamentos voltados ao controle do peso e à melhoria da qualidade de vida. *Com informações da SES.

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