Economia & Negócios / Economia
Inflação de outubro surpreende e mercado reduz previsão do IPCA para 2025
Estimativa para o PIB é 2,16% este ano
Luis Gustavo, Da Redação*
A divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de outubro, o menor para o mês em quase três décadas, levou o mercado financeiro a revisar para baixo suas projeções de inflação para este ano. Segundo o boletim Focus, publicado nesta segunda-feira (17) pelo Banco Central (BC), a estimativa para 2025 caiu de 4,55% para 4,46%, voltando ao intervalo da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
A meta de inflação é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo — o que estabelece limites entre 1,5% e 4,5%. Apesar da revisão, a expectativa do mercado continua próxima do teto.
De acordo com o IBGE, o IPCA de outubro registrou alta de apenas 0,09%, influenciado principalmente pela queda na conta de luz. É o menor resultado para o mês desde 1998. Em setembro, o índice havia sido de 0,48%. No acumulado de 12 meses, a inflação chegou a 4,68%, abaixo dos 5% pela primeira vez em oito meses, mas ainda acima do limite superior da meta.
Juros altos por mais tempo
A queda da inflação ocorreu em um cenário de juros básicos congelados. A Selic foi mantida em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na última reunião, repetindo as duas decisões anteriores. O colegiado, porém, ressaltou que pode voltar a subir os juros “caso julgue apropriado”, diante das incertezas no ambiente internacional, especialmente nos Estados Unidos.
O BC avalia que, embora a desaceleração da economia brasileira esteja mais evidente, a inflação segue resistente, o que reforça a necessidade de manter juros elevados por um período prolongado.
No boletim Focus, analistas projetam que a Selic termine 2025 no atual patamar de 15% ao ano. Para 2026, a previsão é de redução para 12,25%. Em 2027 e 2028, a taxa deve recuar para 10,5% e 10% ao ano, respectivamente.
Economia em ritmo moderado
As projeções para o crescimento da economia brasileira permaneceram estáveis no boletim desta semana. O mercado prevê que o PIB avance 2,16% em 2025. Para os anos seguintes, as expectativas são de 1,78% (2026), 1,88% (2027) e 2% (2028).
O desempenho recente da economia mostra expansão de 0,4% no segundo trimestre deste ano, impulsionada pelos setores de serviços e indústria. Em 2024, o PIB encerrou com alta de 3,4%, a maior desde 2021.
Dólar estável
A previsão para a cotação do dólar permaneceu inalterada: R$ 5,40 no fim de 2025. Para 2026, o mercado estima a moeda norte-americana em R$ 5,50.
Com inflação mais baixa, economia moderada e juros ainda elevados, o cenário segue desafiador. A condução da política monetária nos próximos meses será decisiva para manter a inflação dentro da meta e equilibrar o ritmo de atividade. *Com informações da Agência Brasil.
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