Mulheres ganham até 37% menos que homens mesmo com ensino superior, aponta Censo 2022

Levantamento do IBGE revela persistência da desigualdade salarial entre gêneros e raças no país

Luis Gustavo, Da Redação*


Dados do Censo Demográfico 2022, divulgados nesta quinta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que as mulheres continuam recebendo significativamente menos que os homens, mesmo quando possuem ensino superior completo.

 

Segundo o levantamento, 28,9% das mulheres ocupadas tinham diploma universitário, percentual muito superior ao dos homens (17,3%). Apesar disso, a renda média feminina foi de R$ 2.506 mensais, o que representa 19,6% a menos do que a média masculina, de R$ 3.115.

 

A diferença se acentua entre aqueles com ensino superior completo: as mulheres com diploma receberam R$ 4.591 em média, valor 37,5% inferior ao dos homens com o mesmo nível de escolaridade, que ganhavam R$ 7.347.

 

Desigualdade racial também persiste

O estudo evidencia ainda as disparidades raciais na renda do trabalho. Trabalhadores amarelos e brancos registraram os maiores rendimentos em todos os níveis de instrução, enquanto pardos, pretos e indígenas continuam recebendo menos.

 

Entre os ocupados com ensino superior, por exemplo, pessoas amarelas ganhavam R$ 8.411, mais que o dobro da média registrada entre indígenas (R$ 3.799).

 

Desigualdade também aparece na renda domiciliar

Além da renda individual do trabalho, o Censo também analisou o rendimento domiciliar per capita proveniente de todas as fontes de renda. Os resultados mantiveram os mesmos padrões de desigualdade observados entre gênero e raça.

 

O levantamento considerou pessoas ocupadas a partir dos 14 anos de idade e utilizou valores nominais, sem correção pela inflação.

 

O resultado reforça que, apesar dos avanços educacionais e do maior acesso das mulheres ao ensino superior, a desigualdade de renda por gênero e raça ainda é uma realidade estrutural no mercado de trabalho brasileiro. *Com informações da CNN.

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