Cidades & Região / Angélica
Ministério Público apura responsabilidade de usina de Angélica por incêndio que destruiu mais de 3,3 mil hectares
Investigação do MPE busca responsabilização da empresa por danos ambientais causados por incêndio originado durante colheita de cana-de-açúcar
Da Redação
O MPE-MS (Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul) instaurou inquérito civil para apurar a responsabilidade de uma usina sucroalcooleira de Angélica por um incêndio de grandes proporções ocorrido em agosto de 2025, que devastou 3.397 hectares de áreas rurais e de preservação ambiental no município.
De acordo com Laudo de Constatação do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), o fogo teve início durante a operação de colheita de cana-de-açúcar em uma fazenda sob administração da usina. As chamas se propagaram rapidamente, atingindo propriedades vizinhas, áreas de pastagem, canaviais, florestas cultivadas, APPs (Áreas de Preservação Permanente) e Reservas Legais.
Mesmo com o trabalho das brigadas de incêndio, o fogo se estendeu por dois dias, causando danos expressivos. Imagens de satélite e análises do Núcleo de Georreferenciamento do CPAmb (Comando de Policiamento Ambiental) confirmaram que o ponto de origem do incêndio coincide com o local onde uma colheitadeira foi encontrada queimada.
Segundo o Imasul, a área total afetada foi de 3.397,679 hectares, sendo 3.108,734 hectares de área agropastoril, 282,945 hectares de vegetação nativa em APP e RL, e seis hectares de floresta cultivada.
Diante da gravidade dos danos ambientais, o Imasul aplicou multa de R$ 12 milhões à empresa e determinou a apresentação de um Prada (Projeto de Recuperação de Área Degradada) referente às áreas de vegetação nativa atingidas.
Além das sanções administrativas, o MPE requisitou à Delegacia de Polícia de Angélica a instauração de inquérito policial para investigar possíveis crimes ambientais previstos no artigo 41 da Lei nº 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais), que trata de incêndios em matas ou florestas.
O inquérito civil visa reunir elementos técnicos, periciais e testemunhais capazes de embasar eventual Ação Civil Pública para responsabilização dos envolvidos e reparação integral dos danos ambientais, considerados bem de uso comum do povo e essenciais à sadia qualidade de vida.
Cobertura do Jornal da Nova
Quer ficar por dentro das principais notícias de Nova Andradina, região do Brasil e do mundo? Siga o Jornal da Nova nas redes sociais. Estamos no Twitter, no Facebook, no Instagram, Threads e no YouTube. Acompanhe!





