Comércio projeta R$ 9,96 bilhões em vendas para o Dia das Crianças, maior valor em 12 anos

CNC aponta juros e inflação como obstáculos para expansão maior

Luis Gustavo, Da Redação*


As vendas para o Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro, devem movimentar R$ 9,96 bilhões no comércio brasileiro este ano. O valor representa alta de 1,1% em relação a 2024, quando foram registrados R$ 9,85 bilhões em compras. Caso a projeção se confirme, será o melhor desempenho da data em mais de uma década.

 

O levantamento foi divulgado nesta quarta-feira (1º) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Segundo a entidade, o montante esperado só fica atrás de 2014, quando as vendas chegaram a R$ 10,5 bilhões. Os valores já consideram a inflação do período.

 

O Dia das Crianças ocupa a terceira posição entre as datas mais relevantes para o varejo, ficando atrás apenas do Natal (R$ 72,8 bilhões em 2024) e do Dia das Mães (R$ 14,5 bilhões em 2025).

 

Segmentos mais procurados

A CNC estima que os setores mais beneficiados serão:

  • Vestuário, calçados e acessórios: R$ 2,71 bilhões

  • Eletroeletrônicos e brinquedos: R$ 2,66 bilhões

  • Farmácias, perfumarias e cosméticos: R$ 2,15 bilhões

  • Móveis e eletrodomésticos: R$ 1,29 bilhão

  • Hiper e supermercados: R$ 690 milhões

  • Outros segmentos: R$ 45 milhões

Juros altos freiam expansão

Apesar do desempenho positivo, o economista-chefe da CNC, Fábio Bentes, avalia que o crescimento poderia ser maior se não fosse o cenário de juros elevados e inflação persistente.

 

“A inflação ainda não está onde a gente quer, e os juros, justamente por conta disso, estão em um patamar muito elevado. Isso limita a expansão das vendas, mesmo com o mercado de trabalho favorável”, explica.

 

Atualmente, a taxa Selic está em 15% ao ano, segundo decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. A medida busca conter a inflação acumulada de 5,13% nos últimos 12 meses, acima do teto da meta de 4,5%.

 

Com os juros altos, o crédito se torna mais caro. Em julho, a taxa média para o consumidor atingiu 57,65% ao ano, maior nível para o mês desde 2017. Esse encarecimento do financiamento impacta diretamente as compras parceladas, comuns em datas comemorativas.

 

Além disso, o nível de inadimplência segue em alta: 30,4% das famílias estão com contas em atraso, recorde desde o início da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), em 2010.

 

“Inflação das Crianças”

Outro desafio é a alta de preços em produtos típicos da data. A CNC calculou que a chamada “inflação das crianças” subiu 8,5% em média em relação ao ano passado, acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Itens com maiores aumentos:

  • Chocolates: 24,7%

  • Doces: 13,9%

  • Lanche: 10,9%

  • Cinema, teatro e concertos: 10,3%

Já os produtos mais procurados, como brinquedos (4,1%) e roupas infantis (3,3%), registraram inflação abaixo do índice geral.

 

Segundo Bentes, a alta no preço do chocolate, por exemplo, é explicada por fatores externos. “O cacau é uma commodity internacional, e choques de oferta e demanda afetam diretamente os preços internos. Por isso, pesquisar antes de comprar é fundamental”, aconselha.

 

Queda no varejo

Apesar da expectativa positiva para o Dia das Crianças, o comércio brasileiro acumula quatro meses consecutivos de queda nas vendas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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