Pouso irregular e colisão com árvore: as causas da queda de avião no Pantanal

A colisão com uma árvore durante a tentativa de aterrissagem provocou a queda da aeronave, que explodiu em seguida, segundo investigação da Polícia Civil

Por G1/MS


A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul identificou a causa preliminar da queda do avião que matou quatro pessoas no Pantanal. Segundo o Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado), a aeronave bateu em uma árvore durante um pouso irregular. 

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As vítimas foram o arquiteto chinês Kogjian Yu, os cineastas Luiz Ferraz e Rubens Crispim Júnior e o piloto Marcelo Pereira de Barros. Os corpos dos três brasileiros já foram identificados e liberados para os velórios. O corpo de Yu ainda aguarda liberação, pois os exames de DNA só serão feitos após a chegada da família ao Brasil.

Segundo a Polícia Civil, o acidente foi causado por uma série de falhas durante o voo. O piloto tentou pousar às 18h09 da terça-feira (23), 30 minutos após o horário permitido para operações durante o dia. Além disso, a pista não tinha autorização para pousos noturnos, e a aeronave também não estava habilitada para esse tipo de operação.

Galho de árvore encontrado na cena do sinistro aéreo - Fotos: Polícia Civil/Divulgação

Com a visibilidade reduzida, o piloto tentou pousar, mas precisou arremeter. Na segunda tentativa, durante uma curva à esquerda para se alinhar novamente com a pista, o avião bateu em uma árvore de 20 metros de altura, a cerca de 300 metros da cabeceira. O impacto provocou a queda e a explosão da aeronave.

Galhos encontrados na fuselagem e imagens da própria equipe ajudaram a polícia a reconstruir a dinâmica. A aeronave já tinha histórico de apreensão por irregularidades em 2019. Em 2022, obteve autorização para voar, mas sem permissão para táxi aéreo ou voos noturnos.

Apesar da conclusão da Polícia Civil, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) segue apurando o caso. Testes de visibilidade foram feitos para avaliar as condições exatas do voo.

Equipe do Dracco realizando perícia na aeronave - Fotos: Polícia Civil/Divulgação

“Além da dinâmica do acidente, a investigação apura eventuais irregularidades associadas à operação do voo e questões relacionadas às autorizações da aeronave e do piloto; além do deslocamento por região classificada como Zona de Identificação de Defesa Aérea, conforme normativas do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), sem apresentação de plano de voo”, informou a Polícia Civil em nota.

A defesa do piloto apresentou outra versão. O advogado Djalma Silveira, amigo de Marcelo, disse que ele “amava a aviação, a natureza, os amigos e os filhos, e era um profissional exemplar”. Afirmou ainda que o avião estava regularizado e com autorização vigente.

A defesa do piloto apresentou outra versão. O advogado Djalma Silveira, amigo de Marcelo, disse que ele “amava a aviação, a natureza, os amigos e os filhos, e era um profissional exemplar”. Afirmou ainda que o avião estava regularizado e com autorização vigente.

O acidente

Galho de árvore onde o avião atingiu - Fotos: Polícia Civil/Divulgação

A queda do avião ocorreu ao lado da pista de pouso da fazenda Barra Mansa, área turística localizada na zona rural de Aquidauana. Funcionários que trabalham no local presenciaram o acidente e utilizaram um trator e caminhão-pipa para chegar à aeronave, que explodiu ao atingir o solo, e combater o fogo.

Os corpos das quatro vítimas foram carbonizados. A operação de resgate durou cerca de nove horas e envolveu três militares e uma viatura. O acesso difícil e as condições do terreno dificultaram o trabalho das equipes.

A aeronave tinha matrícula PT-BAN. O modelo era Cessna 175, fabricado em 1958. Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), o avião estava autorizado a voar apenas sob regras visuais, e durante o dia.

Testemunhas relataram que a aeronave sobrevoou a região durante todo o dia, realizando diversos pousos e decolagens. A pista da Fazenda Barra Mansa, onde ocorreu o acidente, só podia ser utilizada até as 17h39, mas a queda aconteceu após as 18h.

O arquiteto chinês Kongjian Yu, o documentarista Luiz Ferraz, o diretor de fotografia Rubens Crispim Jr. e o piloto Marcelo Pereira de Barros - Foto: Montagem/G1

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