Nacional & Geral / Esportes
Estudo mostra que EJA eleva renda e aumenta chances de emprego formal no Brasil
Pesquisa inédita revela impacto da EJA na renda de alunos
Luis Gustavo, Da Redação*
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) tem impacto positivo direto na renda, na ocupação e na formalização no mercado de trabalho dos estudantes que retornam à escola para concluir os estudos. É o que aponta um estudo inédito, encomendado pelo Ministério da Educação (MEC) em parceria com a Unesco, que será lançado nesta quarta-feira (10) durante o Seminário Nacional de Educação de Jovens e Adultos: 1º Ano do Pacto pela Superação do Analfabetismo e Qualificação na Educação de Jovens e Adultos (Pacto EJA).
A pesquisa destaca que a modalidade, parte da educação básica, oferece oportunidade de retomada dos estudos para jovens e adultos que não concluíram o ensino fundamental ou médio na idade adequada. Além de permitir a conquista do diploma, a EJA tem cursos mais rápidos que os da rede regular.
Avanços e desafios da escolarização
O Brasil ampliou o acesso à educação nas últimas décadas. A taxa de atendimento entre 6 e 14 anos passou de 75,5% em 1991 para 96,7% em 2010. Ainda assim, persistem altos índices de evasão e reprovação. Em 2023, 35 de cada 100 jovens não haviam concluído o ensino médio até os 20 anos.
Para ingressar no EJA ensino fundamental, é necessário ter pelo menos 15 anos, enquanto no ensino médio a idade mínima é de 18 anos. No caso da alfabetização (AJA), a participação é permitida a partir dos 15 anos. O estudo também calculou o público potencial da modalidade, levando em conta fatores regionais, raciais e de localização urbana ou rural.
Retorno econômico e social
Os resultados revelam aumentos consistentes de renda e de inserção formal no mercado de trabalho em todas as etapas da EJA:
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Alfabetização (AJA): renda média cresce 16,3% entre 18 e 60 anos; para o grupo de 46 a 60 anos, o impacto supera 23%. Também eleva em 7,7 pontos percentuais (pp) a chance de ter um emprego formal.
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Ensino fundamental: renda aumenta 4,6% em média, chegando a 14,9% entre jovens de 26 a 35 anos. A formalização sobe 6,6 pp.
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Ensino médio: a conclusão eleva a renda em 6% no geral e em até 10% entre 26 e 35 anos. A probabilidade de emprego formal cresce 9,4 pp.
Segundo a autora do estudo, Fabiana de Felicio, os resultados reforçam o papel estratégico da EJA. “Os ganhos ao longo da vida parecem ser suficientes para justificar os custos de curto prazo do retorno aos estudos, especialmente para os grupos de idade mais jovens”, afirma.
O levantamento destaca ainda que os efeitos positivos não se limitam aos indivíduos. “O aumento da renda, da formalidade e da qualidade das ocupações não só melhora a qualidade de vida das pessoas, como também contribui para a produtividade e a redução da pobreza e desigualdade”, registra o documento.
Pacto EJA
Lançado em 2024, o Pacto Nacional de Superação do Analfabetismo e Qualificação de Jovens e Adultos prevê a criação de 3,3 milhões de novas matrículas, associando a EJA à educação profissional. O investimento é de R$ 4 bilhões em quatro anos.
Dados da Pnad Contínua, do IBGE, indicam que o Brasil ainda tem 9,1 milhões de pessoas com 15 anos ou mais não alfabetizadas — o equivalente a 5,3% da população nessa faixa etária.
*Com informações da Agência Brasil.
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