Xi Jinping propõe nova ordem global em encontro da Organização para Cooperação de Xangai

Nova Délhi se aproxima de Pequim em meio às tarifas de Trump

Luis Gustavo, Da Redação*


O presidente da China, Xi Jinping, lançou nesta segunda-feira (1º) a Iniciativa de Governança Global (IGG), apresentada como um possível marco para a construção de uma nova ordem mundial. O anúncio ocorreu durante a 24ª cúpula da Organização para Cooperação de Xangai Plus (OCX), realizada em Tianjin, e contou com a presença de 20 líderes de países não ocidentais, entre eles o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi.

 

No discurso, Xi afirmou que a governança internacional enfrenta “um novo período de turbulência e transformação”, citando como ameaças a “mentalidade da Guerra Fria, o hegemonismo e o protecionismo”. Segundo ele, apenas uma cooperação multilateral pode garantir estabilidade em meio ao cenário geopolítico atual.

 

A proposta da IGG foi estruturada em cinco princípios: igualdade soberana entre Estados, respeito ao direito internacional, prática do multilateralismo, centralidade nas pessoas e adoção de medidas concretas. Para Xi, é essencial ampliar a voz dos países em desenvolvimento e “derrubar muros em vez de erguê-los”.

 

Contexto global

O encontro ocorre em meio à intensificação da guerra comercial dos Estados Unidos contra adversários e aliados. Nova Délhi, por exemplo, enfrenta tarifas de até 50% impostas por Washington e tem resistido às pressões americanas para interromper a compra de petróleo russo.

 

Na cúpula, Narendra Modi, Vladimir Putin e Xi Jinping apareceram lado a lado, em um gesto simbólico de aproximação. Foi a primeira visita de Modi à China em sete anos, sinalizando uma possível reaproximação entre os dois gigantes asiáticos, cuja relação é marcada por disputas fronteiriças e rivalidades regionais.

 

Cooperação e recursos

Xi também anunciou um pacote de apoio financeiro: US$ 280 milhões em ajuda direta e um empréstimo adicional de 10 bilhões de yuans destinados aos bancos da OCX. O fórum, criado em 2001, reúne dez países-membros, além de observadores e parceiros, e atua em áreas que vão da segurança e combate ao narcotráfico à energia verde e inteligência artificial.

 

A iniciativa chinesa foi bem recebida pelos aliados. Putin declarou que a Rússia “apoia a proposta de Xi Jinping” e defendeu que a OCX assuma “papel de liderança na construção de um sistema de governança mais justo”. Modi, por sua vez, ressaltou a importância da cooperação em setores estratégicos como comércio, fertilizantes, segurança e tecnologia espacial.

 

Significado histórico

A cúpula em Tianjin antecede as comemorações do 80º aniversário da vitória da China contra a ocupação japonesa e do fim da Segunda Guerra Mundial, data que será marcada por um desfile militar com a presença de cerca de 50 líderes mundiais na próxima quarta-feira (3).

 

Analistas interpretam a proposta da IGG como uma resposta direta à política de unilateralismo e tarifas comerciais reforçadas pelo governo de Donald Trump, que tem aumentado tensões no cenário internacional.

 

Para Xi, o futuro da ordem mundial depende da união: “Devemos promover a integração, não a dissociação. Uma globalização inclusiva e cooperativa é o caminho para todos”.

 

*Com informações da Agência Brasil.

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