Acampamento Borevi é incendiado na MS-134 em Batayporã

Ataque surpreendeu os acampados, sobretudo por se tratar de uma área já consolidada e em processo de negociação formal com o movimento desde janeiro deste ano

Luis Gustavo, Da Redação


O Acampamento Borevi, localizado há mais de dez anos na região conhecida como Cascalho do Porto Primavera, em Batayporã, foi alvo de um incêndio criminoso na madrugada dessa quarta-feira (25). Segundo a direção do movimento Nova Esperança Terra e Teto, o ataque surpreendeu os acampados, sobretudo por se tratar de uma área já consolidada e em processo de negociação formal com o movimento desde janeiro deste ano.

De acordo com a coordenação do Nova Esperança, a oficialização da presença do movimento no local ocorreu no último domingo, após meses de diálogo entre os acampados e a direção estadual. No entanto, durante o ato de integração realizado no final de semana, membros do movimento relataram movimentações suspeitas nas proximidades: caminhonetes de luxo foram vistas filmando e fotografando os participantes, o que causou preocupação entre os presentes.

A situação se agravou com a chegada da PRF (Polícia Rodoviária Federal), que exigiu explicações quanto à presença do grupo no local. “Foi uma ação no mínimo intimidadora, especialmente porque não se tratava de nenhuma ocupação nova. O acampamento Borevi já está ali há mais de uma década”, afirmou um dos coordenadores do movimento.

Apesar da gravidade do ataque, felizmente não havia ninguém no local durante o incêndio, evitando assim possíveis feridos. A direção do movimento já registrou boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia Civil de Batayporã e informou que formalizará denúncia junto ao Ministério Público Federal. Além disso, o caso será encaminhado à Câmara de Conciliação Agrária em Brasília, que atua na mediação de conflitos fundiários no país.

Em nota, o movimento Nova Esperança Terra e Teto reiterou que “a luta pela terra é legítima” e reforçou que não se trata de invasão de propriedade. “A definição sobre áreas improdutivas ou devedoras da União é de responsabilidade do INCRA. O movimento atua dentro dos marcos legais e constitucionais”, afirma o comunicado.

A comunidade do Acampamento Borevi, embora abalada, garante que continuará firme em sua busca por justiça e dignidade. “Esse ataque não nos intimida. Nos fortalece. Seguiremos na luta por reforma agrária e pela soberania alimentar”, conclui a nota.

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