Nacional & Geral / Saúde
Anualmente, 2,6 milhões de pessoas morrem por erros médicos
O uso de um prontuário eletrônico otimiza o atendimento médico e minimiza a ocorrência de erros no tratamento, o que evita mortes e danos ao paciente
Da Redação
Apesar dos avanços tecnológicos, milhões de pessoas ainda perdem a vida todos os anos devido a erros médicos que poderiam ser evitados. Entre diagnósticos incorretos e medicação inadequada, essa realidade atinge especialmente os países mais pobres, onde há escassez de equipamentos de qualidade.
Uma pesquisa da Organização Mundial da Saúde (OMS) revela que 2,6 milhões de mortes anuais estão relacionadas a erros médicos, levando em conta dados de 150 países de baixa e média renda.
Esses números destacam a urgência de incorporar inovações que minimizem tais falhas, além de expandir o acesso a essas tecnologias em regiões com restrições financeiras, como algumas áreas do Brasil.
Diferença entre prontuário eletrônico e prontuário digital
Ambos os modelos representam avanços tecnológicos que visam otimizar as atividades no setor de medicina. Eles facilitam o acesso aos dados necessários para o atendimento e tratamento dos pacientes, além de recursos de armazenamento e segurança mais eficientes.
Como as diferenças entre eles são sutis, muitas vezes os formatos são mencionados sem que se perceba que são tipos distintos. No entanto, o prontuário eletrônico do paciente está mais associado a funções avançadas, como uma troca de informações mais eficiente entre sistemas, incluindo o histórico médico dos pacientes.
Por outro lado, o prontuário digital costuma ser mencionado de maneira mais genérica e pode estar mais relacionado a documentos digitalizados, sem oferecer recursos adicionais.
Legislação sobre o uso do prontuário eletrônico
A Lei nº 13.787/2018, conhecida como a Lei do Prontuário Eletrônico, trouxe avanços na forma como os profissionais de saúde podem utilizar essa tecnologia em seu trabalho. Ao mesmo tempo, estabeleceu regras para garantir a proteção dos dados dos pacientes.
Um dos pontos mais importantes afirma que "o processo de digitalização do prontuário do paciente deve ser realizado de maneira a assegurar a integridade, a autenticidade e a confidencialidade do documento digital".
O decreto também destaca a necessidade de um certificado digital para o uso dos dados, garantindo que os documentos sejam oficiais. Essa regulamentação beneficia tanto os profissionais quanto os pacientes, promovendo a redução de erros, maior agilidade nos processos e mais segurança no tratamento das informações.
O impacto dos erros médicos na saúde global
Segundo dados da OMS, erros na prescrição de medicamentos geram um custo global de US$ 42 bilhões por ano. Além das milhões de mortes associadas, um número ainda maior de pessoas sofre outros tipos de danos, como deficiências permanentes.
Além dos medicamentos, os dados indicam que a maioria dos erros está relacionada ao diagnóstico. Nesse cenário, o uso adequado do prontuário eletrônico poderia prevenir esses problemas, com uma gestão mais eficiente e segura das informações de cada paciente.
Os impactos na saúde não se limitam à perda de vidas, pois também afetam os países de forma financeira, com recursos que poderiam ser redirecionados para melhorar a qualidade de vida da população.
Por que os prontuários tradicionais falham
No Brasil, mais de 600 milhões de consultas médicas são realizadas anualmente, segundo dados da Associação Médica Brasileira (AMB). O cenário atual é bem diferente de décadas passadas, já que um número muito maior de brasileiros têm acesso a atendimento em diversas especialidades.
No entanto, os prontuários tradicionais já não conseguem acompanhar a demanda por otimização dos serviços nas clínicas. Embora a qualidade seja prioritária, é necessário atender mais pacientes em menos tempo, evitando filas e atrasos que, em muitos casos, são cruciais para o sucesso do tratamento.
Além disso, os formatos tradicionais estão mais propensos a erros humanos, aumentando as chances de informações serem repassadas de forma equivocada, o que pode comprometer a qualidade do atendimento.
Como os prontuários eletrônicos melhoram o atendimento
A coleta ágil de dados essenciais por meio do prontuário eletrônico facilita o atendimento ao paciente de diversas maneiras.
Ao reduzir filas e otimizar a troca de informações entre os profissionais, esse modelo assegura diagnósticos, prescrições e tratamentos mais precisos. Além disso, minimiza problemas de burocracia, tornando as operações dentro da clínica mais eficientes.
Para os médicos, essa tecnologia se torna uma aliada na tomada de decisões cruciais que podem impactar a vida dos pacientes. Com o prontuário, é possível reunir um histórico completo do paciente e oferecer o tratamento adequado para cada contexto específico.
Tipos de prontuário eletrônico
No total, três tipos principais de prontuário eletrônico estão disponíveis para clínicas, cada um com características que atendem a diferentes necessidades de atendimento. Além disso, o orçamento é um fator importante a ser considerado na escolha do modelo mais adequado.
Prontuário com base de dados local: os sistemas locais armazenam dados diretamente nos servidores da instituição. A grande vantagem é a independência em relação à internet no ambiente de trabalho, mas isso também implica um risco maior de perda de dados.
Prontuário em nuvem: esse formato armazena dados em servidores remotos, acessíveis pela internet. Isso diminui os riscos de perda de dados, mas cria uma dependência da conexão com a internet, o que pode impactar o atendimento em caso de instabilidade.
Prontuário híbrido: os sistemas híbridos combinam características dos modelos locais e em nuvem, permitindo que a instituição armazene dados em ambas as plataformas. Esse modelo é adequado para serviços essenciais que não podem ser interrompidos.
Outros modelos menos divulgados também podem ser adquiridos no mercado, e o setor deve se expandir ainda mais nos próximos anos.
Segurança e privacidade de dados do paciente
Para se adequar às normas brasileiras, os prontuários eletrônicos devem cumprir a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que regula todas as atividades que utilizam dados pessoais em suas operações.
Essa questão é ainda mais relevante na área da medicina, uma vez que as informações digitais relacionadas à saúde dos pacientes precisam ser tratadas com rigor. Para garantir um uso adequado, os dados devem estar acessíveis apenas aos profissionais responsáveis pelo atendimento, com recursos de segurança que evitem vazamentos.
De acordo com a LGPD, o histórico médico é considerado um dado sensível e requer atenção redobrada. Quando todas as normas são seguidas, o formato eletrônico se torna uma vantagem, pois possibilita uma gestão mais eficiente dos dados.
Benefícios e vantagens de usar o prontuário eletrônico
Desde consultas de rotina até cirurgias complexas, o prontuário eletrônico oferece a importante vantagem de otimizar todo o processo de atendimento, reduzindo ao máximo a ocorrência de erros.
Com mais produtividade, os pacientes têm acesso a diagnósticos mais precisos e tratamentos adequados. Ao mesmo tempo, com um histórico médico completo, os profissionais podem explorar diversos benefícios, dependendo do modelo utilizado.
A integração com dispositivos móveis pode tornar os resultados mais eficientes. Além disso, essa tecnologia permite que cálculos específicos, como o Índice de Massa Corporal (IMC), sejam realizados de forma automatizada.
A longo prazo, essa tecnologia contribui para a redução de custos nas empresas. Com menor espaço físico necessário para armazenamento e diminuição da quantidade de erros, parte da verba pode ser redirecionada para ações mais relevantes.
A acessibilidade também é uma vantagem, pois os dados podem ser acessados de qualquer lugar. Além disso, os recursos de segurança protegem contra vazamentos e garantem o sigilo das informações médicas dos pacientes.
Em geral, esse prontuário ajuda a melhorar a qualidade de vida tanto dos médicos quanto dos pacientes e deve ter seu uso ampliado no Brasil e no mundo.
Cobertura do Jornal da Nova
Quer ficar por dentro das principais notícias de Nova Andradina, região do Brasil e do mundo? Siga o Jornal da Nova nas redes sociais. Estamos no Twitter, no Facebook, no Instagram, Threads e no YouTube. Acompanhe!





