Aqui estou mais um dia.
Nas ruas, sarjetas e guias
Você não sabe como é caminhar
Com a barriga vazia, cheia de ar.
Na muralha em pé
Um cidadão de bem que não me quer
Ele sabe o pedaço de pão que eu quero
Ele sabe o que eu penso.
O dia tá quente
O clima tá tenso;
De fome
De calor.
E falta calor humano
E falta comida
E estou com fome e desnutrido.
Se eu vacilar ele vai atirar
Um dia a mais ou um dia a menos
Tanto faz
O relógio da miséria capetalista anda em câmera lenta.
Olha aí é o meu guri
Já chegou com relógio dourado,
Corrente prateada,
No pulso e no pescoço.
Quase sem pulso, quase sem pescoço
Eles não têm dó, chegam descendo a porrada
Gás no camburão, bala perdida encontra um peito ou a cabeça pobre.
Pobre, pobres deles, metidos a Charles Bronson. Pobres de direita.
Cidadão José, servindo o sistema pobre, pobre a serviço do rico.
Proletário a serviço do patrão.
No jornal página policial notícia fresca de sangue fresco.
Venda nos olhos, legenda e iniciais
Menor de idade 13 anos.
Menor ao invés de criança, o jornal é neoliberal, com ou sem rima.
Vítima do sistema capetalista mau, com u, adjetivo.
Mata de fome e inanição e bala e desprezo.
E será combatido com o L (éle),
L de Esperança. A Estrela já foi lançada.
Foi encontrado sorrindo
Deitado no mato
De olhos abertos
Olhando pro Céu, pra Estrela, pra Esperança!
No dia que faltam 13 dias para a felicidade!! No ano de 522, após a invasão genocida dos homens brancos contra os povos originários da América!
Nova Andradina (cidade do povo indígena Ofaié)
*Docente adjunto III da UFMS, curso de História – Nova Andradina. (mestre, doutor e pós-doutor em história do Brasil Império, século XIX).
Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornal da Nova
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