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Senso comum: Paradigmas que precisam e merecem estudos
*Claudinei Araújo dos Santos
Moral de rebanho é um conceito da filosofia de Nietzsche (2005) que assevera existir no ser humano um comportamento puramente submisso e com poucas reflexões no que tange aos valores morais, mormente segue-se uma idealização de rebanho, aquilo que foi ensinado histórica e socialmente torna-se uma verdade irrefutável, são também chamados de valores dominantes da civilização. O texto que ora iniciamos vem realizar um contraponto a escrita que no dia 01 de Setembro do ano corrente foi postada no mesmo jornal que hoje estamos a publicar, no entanto, não temos a mínima intenção de tratar a temática de forma odiosa, apenas chamar atenção para algumas percepções inverídicas e jamais sustentáveis dentro do campo socioeducacional, costumamos dizer que “pós-verdade”, é sim um grande mal social dos povos que vivem a crise do presentismo (Hartog, 2011), grosso modo, pisam no passado deixando de analisar o presente, factualmente nos proporcionará um futuro cada vez mais violento do ponto de vista de abandonar a dignidade humana como princípio de todos que são chamados humanos, talvez a problemática é que somos Humanos, demasiado humano (Nietzsche, 2005).
Iniciando nosso necessário contraponto é preciso refletir caríssimo professor que também é jornalista (conforme nos informes de seu texto), que os professores e professoras da Educação Básica, não trazem o mínimo de intenção incentivar, iniciar e/ou mesmo incitar que criança entre os 06 ou 08 anos de idade venham conhecer de como se faz sexo anal, ménage, práticas de zoofilia, etc, a sala de aula nesse período de ensino e aprendizagem caríssimo, intui letrar e alfabetizar, proporcionar que nossas crianças tenham o mínimo de acesso a coisas básicas que os primeiros artigos da CF/88 proporcionam aos educandos e demais indivíduos da sociedade terem, liberdade, moradia, alimentação, lazer, cultura, e que jamais tenham os seus direitos violados pelo Estado.
É preponderante enquanto docentes viabilizarmos a dignidade humana, de forma muito peculiar refletir nossa ação de quem está em sala de aula, dizer que não seguimos Brilhante Ustra, Pinochet, Hitler, Mussolini, não temos pensamentos ligados ao fascismo e/ou nazismo, mas, seguimos Anísio Teixeira, Paulo Freire, Moacir Gadotti, Cipriano Luckesi, Maria Lúcia de Arruda Aranha, gostamos também de Vigotski, Saviani, Kappel, entre outros e outras educadoras e educadores. O senso comum, não nos importa enquanto docentes, enquanto aqueles que almejam melhorar a nós mesmos, haja vista que, como lembra Paulo Freire, não queremos transformar a sociedade, talvez melhorar indivíduos que certamente servirão de partida para um mundo melhor, com pessoas mais amáveis, capazes de ver no outro, a diferença, a diversidade, e que sem atos preconceituosos, racistas, homofóbicos, lesbofóbicos, machistas, possamos dar valor a dignidade humana, vou repetir várias vezes, dar voz e vez a dignidade humana, que mudando indivíduos, transformamos a sociedade.
Superar a nossa anestesiada concepção de mundo é essencial caríssimos para que o outro possa ser visto cada vez mais como gente, não queremos aqui refletir os escritos do companheiro com ódio, mas, com entendimentos, inclusive dizer que entendo quando ainda no século passado era permitido por boa parte de nossos familiares odiar o outro e a outra por questões de gênero ou mesmo de forma muito violenta, pela orientação sexual, o que também chamamos para reflexão sobre “gênero e orientação sexual”, refletir e compreender faz-se essencial, ainda tratando que, o termo “homossexualismo” citado pelo autor daquele texto entrou em desuso, ninguém deve ser considerado doente pela sua orientação sexual, é, sinceramente um desconhecimento grandioso da temática, nos faz pelo menos entender que, a escrita não trouxe compreensão real, a não ser ressaltar um odioso texto cheio de pré-conceitos. Em um tempo não muito distante [..] Foucault argumentou que os especialistas médicos, desde a segunda metade do século XIX, em seus esforços de conhecer e prevenir tudo aquilo que poderia ameaçar a saúde do indivíduo e da nação, contribuíram decisivamente para estabelecer uma série de classificações de seres humanos que deram corpo às sexualidades "marginais" ou “perversas”. Dessa forma, os médicos ajudaram a promover uma nova forma de controle social, tendo a sexualidade como alvo, ao mesmo tempo que moldaram novos personagens sociais (Botelho p.122).
Vou-me utilizar de Élio Chaves Flores (2019, pág. 67), para entender melhor o que tratas: “As fortes posições de confissões religiosas (contra os direitos reprodutivos das mulheres), de credos políticos (contra as políticas públicas para as mulheres) e das invencionices da “ideologia de Gênero” (contra a orientação sexual e casamento homoafetivo) que ajudaram a derrubar a primeira presidenta eleita da república parece que confirmam, em larga medida, a vertente historiográfica de Joan Scott”. Desta forma, parece-me que sua escrita apesar de ganhar fomento nas palavras do atual presidente da república e da queda da máscara de pessoas cordiais que o brasileiro sempre teve, não pode ser sustentada e muito bom seria não ser mantida, levando em consideração que os Artigos, 1º, 3º, 5º. da CF, deram base para a implementação de políticas públicas de promoção da igualdade racial ou de ação afirmativa.
Essa política nos permite cuidar inclusive para que baseados no Habeas Córpus 82.424 – conhecido como caso Ellwanger, que reafirmou a imprescritibilidade do crime de racismo e deu início a uma importante discussão sobre os limites entre liberdade de expressão e discurso de ódio (Almeida, 2021), grosso modo, queremos dizer que a democracia é essa coisa fabulosa, infernal, amável, violenta, mas, que sem ela tudo pode ser pior do que aquilo que estamos a viver, devido ao ódio construído especialmente após os anos de 2013, quando pessoas baseadas em interpretações grotescas passaram novamente a instituir o ódio estrutural e secular.
Não farás acepção de pessoas – Deuteronômio, 16, 19 – é a interpretação que devemos fazer em nossas considerações finais, não devemos submeter ao outro julgamentos, a orientação sexual do outro não nos interessa, talvez interessa analisar mais profundamente quando aponta que escolas/educação de determinados países que causam a promoção da igualdade, permitindo a todos e todas que tenham seus direitos preservados e garantidos, a democracia nos permite escrever, pensar, atuar, entretanto, não nos é legal confundir direito de expressão com ações odiosas. Convido-lhe para um debate mais eficiente, essencial sobre o assunto, quem sabe façamos uma live, desde que seja com a devida respeitabilidade, educação, talvez nos permita entendermos melhor a temática, sobretudo, promovermos o respeito de ambas as partes.
Escrever com decência e docência é um ato de valor a vida, este mundo precisa de paz e respeito. Evitarmos de julgar alguém pela orientação sexual contribui para que não sejamos julgados por nosso caráter. Ressalta-se que quando pensarmos em ter ódio e nojo da sexualidade de alguém, olhemos no espelho e pensemos se gostaríamos que tivessem nojo de nós. A homofobia pode ser indiscutivelmente o ódio disfarçado de mandamento institucional e estrutural.
*Licenciado em História pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - Campus de Nova Andradina (2010). Especialista em Relações Étnico-raciais, gênero e diferenças no contexto do ensino de História – UFMS (2019). Mestrado em Geografia pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul - Campus de Três Lagoas - MS - 2015.Orcid: https://orcid.org/0000-0001-8695-0258 Lattes - http://lattes.cnpq.br/0752142583007499
Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornal da Nova
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