Cidades & Região / Campo Grande
Advogado desviou R$ 75 mil de asilo em Campo Grande
Advogado atuou durante um ano na instituição, o dinheiro era de ações trabalhistas que tramitavam na justiça. O caso foi denunciado à OAB MS
Da Redação
Um advogado desviou R$ 75 mil do asilo São João Bosco, em Campo Grande. O rapaz atuou por um ano no asilo e teve acesso as causas trabalhistas da instituição, assim, usava da atribuição para descongelar valores bloqueados pela Justiça e transferia o dinheiro para conta pessoal.
Conforme a coordenadora do asilo, Cléo Chama, ela conta que o advogado tinha acesso à conta da instituição: "Por se tratar de causas trabalhistas, a Justiça congelava o dinheiro que entrava na conta. O que nós não sabíamos é que após o descongelamento, o advogado transferia o montante para uma conta própria dele", explicou.
Ainda de acordo com Cléo, o advogado trabalhou por um ano na instituição filantrópica, entre os anos de 2019 e 2020. A coordenadora do asilo contou ao G1 que tiveram ciência do desvio em meados de 2020, quando procuraram o advogado e não obtiveram respostas sobre o dinheiro desviado.
"Ao longo do ano de 2020, tentamos manter de forma amigável a negociação. Porém, ele nunca nos respondeu, sempre ignorou as ligações e nunca apareceu para nós. Foi então que decidimos tornar público a situação, somos uma instituição filantrópica, nos mantemos com doações", lamenta a coordenadora do asilo.
Segundo a coordenadora, o asilo cuida de 80 idosos e possui uma folha de pagamento que contempla 99 funcionários. Após o desvio, a Cléo afirma que se sentiu horrorizada ao descobrir o fato. "Nós ficamos indignados com a situação, o advogado fazer isso com uma instituição filantrópica, isso é horrível!".
O caso foi denunciado à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em nota, a instituição disse: "A OAB/MS recebeu requerimento do Asilo São João Bosco e tomou as providências cabíveis, cujo procedimento está em tramitação na instituição, em sigilo legal". Com G1/MS
Nota da OAB-MS
A Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul vem a público se manifestar acerca dos fatos amplamente difundidos pela mídia da Capital e redes sociais de matéria que macula a imagem da classe, em que profissional teria supostamente se apropriado de valores de uma instituição de caridade.
Esclarece, primeiramente, que não coaduna e compactua com atos ilícitos e atitudes antiéticas cometidas por seus profissionais no exercício da nobre atividade da advocacia.
Que ao tomar conhecimento do caso à época, quando foi apresentado junto à OAB MS, adotou as medidas cabíveis para o momento, cujo caso tramita em sigilo, por força de Lei.
Como na data de quarta-feira (27), o caso ganhou ampla repercussão social, tanto na imprensa, quanto nas redes sociais, essa Presidência fez o encaminhamento do caso para a Presidência do Tribunal de Ética e Disciplina (TED) para análise da Suspensão Preventiva prevista no Estatuto da Advocacia, acerca dos fatos envolvendo o referido advogado, sempre dentro dos trâmites legais, obedecendo o contraditório e a ampla defesa.
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