Calendários...

*Flávia Pimenta


Metas, sonhos, caminhos, comemorações, finalizações e ilusões... Os calendários nos organizam no tempo, ao tempo de criarmos desculpas, ou pularmos etapas, ele apresenta a nova idade, refere compromissos, festas religiosas e patrióticas, traz as estações, idas e vindas, traz as verdades que vamos jogando debaixo do tapete...

O calendário agora aponta Dezembro, mês de encher o coração de bondade, o mês das festas de encerramento, presentes, declarações e correria, de questionamentos, análises de metas, promessas... É o ponto final de mais um ano, a reticências para a virada de página e o encontro com um novo travessão, solto em uma página em branco.

Cada mês é um adendo, um jeito de ser, a folhinha virando, indicando um dia a mais ou um dia a menos, depende da perspectiva, depende do que se fez ou deixou de fazer.

Esse ano o calendário recuou, mudou os planos, teve data misturada e não deu muito para seguir o cronograma, perdemos um pouco o curso das situações e também das sensações. Acometidos pela eminência de uma doença terrível, a espreita de nós, ceifando vidas, encurtando dias. Dezembro chegou mais cedo, na ânsia desesperada de encontrar uma saída, de deixar o mal no calendário arrancado e começar 2021 sem as lembranças de outrora.

Por mais que gente rabisque os dias, conte as horas, a vida segue o curso, não importa a data, a vida não espera você adaptar-se, nem mesmo o relógio para, até que a cura chegue.

Seguimos o calendário, precisamos de direção... Mais ainda, precisamos seguir o coração que verdadeiramente é nossa melhor razão.

E então agora é natal, o vermelho e o verde prevalecem, nuances de dourado, de sorrisos falsos, alguns verdadeiros, alguns já tão cansados que nem mostram os dentes...

Um natal diferente nos espera, máscaras, cumprimentos distantes, sem toques sem abraços ou talvez seja análogo aos outros, mas por hora, escancarado, outro tipo de máscara, outro tipo de distância, revelando a estima do que tínhamos e por vezes desprezamos por nossa indiferença, e talvez quando acordarmos no outro dia, ainda esteja tudo igual, nas prisões do medo e das incertezas...na dureza do coração.

Que possamos viver o que se dá pra viver, os meses serão sempre os mesmos, os dias serão contados do 1 ao 365, só nós não podemos ser mais os mesmos, seria até uma tolice permanecermos impassíveis, seria desumano não nos transformarmos com o aprendizado que o calendário de 2020 nos ensinou.

Lições essas, que jamais deverão ser esquecidas; Que abraço é toque na alma, que união é a maior riqueza, de que ninguém é melhor que ninguém e que o Natal deveria acontecer em cada dia do calendário da nossa vida!!!!

*Escritora e autora de quatro livros em Nova Andradina; “No seu olhar, No seu sorriso, Como está a sua Fé e Tempos que marcam”

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornal da Nova

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