Lula Causou a Fome e Bolsonaro Acabou com a Fome

Se o PT acabou com a fome porque a Esquerda ficou brava quando Bolsonaro disse que no Brasil não tem pessoas que passam fome?

*Claudinei Araújo dos Santos


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Lembro da década de 1990 quando adolescente é um sociólogo chamado Betinho incendiava uma campanha de combate à Fome, eram cerca de 33 milhões de Brasileiros na Linha da Miséria, tínhamos cerca de 180 milhões de Brasileiros, do qual um percentual altíssimo passava fome, em condições insalubres. Não se pode jogar bacia, água e o nenê que toma banho na bacia todos juntos, Fernando Henrique Cardoso, é inegável, apesar de suas privatizações que até hoje não sabemos onde foram parar o dinheiro, mas deu um passo no combate à fome e a miséria no Brasil, inclusive organizou a economia para dar base democrática ao início do século XXI, claro que fez grandes desmontes.

No ano de 2003, um torneiro mecânico assume a Presidência do Brasil, um quase analfabeto falando muitas palavras com erros de Português, mas falava com propriedade, parecia saber sempre do que estava falando, sempre foi forte e bom nos debates, uma inteligência natural, Lula, Luiz Inácio Lula da Silva, surgiu para trazer esperança as classes mais baixas, e é inegável que Lula causou grandes transformações no combate a fome. O Bolsa Família, o Vale Gás, entre outros programas sociais foram essenciais para combater a fome, ao pobre foi providencial, matou a fome de muita gente. Houve no período Lula, um alto índice de empregabilidade, inclusive causando que muitas famílias deixassem de lado o Bolsa família, trocando pelo salário digno e justo da empregabilidade. O setor industrial cresceu, o comércio varejista, o setor da construção civil foram aquecidos e o resultado foi positivo, também o setor dos serviços gerais, assim como a área dos cosméticos e do turismo. Um programa de desenvolvimento interno fez com que pessoas simples tivessem direito a coisas básicas e também incomuns, situações nunca imaginadas durante todo o século XX.

Os Programas Sociais foram eficientes no Combate a fome, entretanto, talvez tenhamos errado quando nos tornamos consumistas e não pessoas inteligentes para assumirmos que em tempos de vacas gordas se guardam também para os tempos de vacas magras, é justamente o que Maquiavel atentou para “Em tempos de Paz, Preparai-vos para a Guerra”, substancialmente nos tornamos grandes gastadores de créditos, como não fomos bem educados para a economia, não tivemos educação matemática para a vida, amarramos o que ganhamos ao gastar exageradamente, mas foi tempo de vacas gordas, que mormente faz das pessoas, fúteis, tempos bons são assim mesmo, constrói pessoas fracas e com pouca inteligência, por isso, boa parte de nós brasileiros somos incapazes de enxergar além da mídia, aquilo que Jornais escritos, revistas eletrônicas e principalmente os telejornais retratam, tornam-se verdade perpétua, uma espécie de pós-verdade, cria-se até uma mesmo mentira, que dita várias e/ou muitas vezes torna-se grande verdade.

Neste sentido, Lula contribui a grosso modo para diminuir a fome de milhões de brasileiros, entretanto, houve erros sim do Governo Dilma, o Brasil de Lula deixou de ser devedor para ser

[1] Licenciado em História pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - Campus de Nova Andradina (2010). Mestrado em Geografia pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul - Campus de Três Lagoas - MS - 2015. Professor no Curso de Direito da FINAN/UNIESP - Unidade de Nova Andradina-MS. Professor no Curso de Pedagogia da Faculdade de Educação de Nova Andradina-MS (FENA) – FINAN/UNIESP. Docente no Curso de Pós-Graduação - Especialização em Educação Especial Inclusiva com a Disciplina de Didática do Ensino Superior - Instituto Z de Pós-Graduação.

credor no FMI, Dilma errou na economia muito mais do que Lula, mas não foi isso que causou o impeachment da Presidenta, mas acredito mais na conjuntura de Dilma não atender seu vice no Executivo, aquele mesmo Michel Temer que reclamava sempre de não ser ouvido, também de não atender o Judiciário em seus aumentos salariais, conforme a espessura do desejo dos semi-deuses e, além, não conversou com o Legislativo, de forma peculiar o senhor Eduardo Cunha, esse mesmo que alguns disseram, somos todos “Cunha”, está encarcerado e não ouço ou leio, sobre “Habeas Corpus de Eduardo Cunha”, um político que aparentemente gosta de ser preso ou de estar no cárcere.

O governo de Lula combateu sim a fome, tivemos grandes percalços no governo Dilma, entretanto, o país caminhava, lembra do preço da Gasolina, do gás, da cesta básica, do passe de ônibus que fez milhares de brasileiros irem as ruas no ano de 2013, agora gritavam contra vinte centavos de aumento no passe de ônibus, mas não gritaram com voz própria, e sim por aguçadores, de forma peculiar a classe média, grupos que se organizaram contra aqueles que estavam no poder, inclusive queriam suas empregadas domésticas novamente, (Que horas ela volta? Filme com Regina Casé), os gritos de combate, houve o início do fora Dilma, houve também o princípio da criação de crise, sim crise criada, daquelas que é interessante acontecer para determinado grupo social.

Esse grupo promoveu interessadamente uma crise no Brasil, fomentou-se a desempregabilidade, houve desejo pelo desemprego, gritaram a favor da fome, gritaram contra o bolsa família e o vale gás, gritaram contra os mais pobres, ressalto: “quero minha doméstica de volta”, até mesmo pelo fato de que no Brasil sempre foi interessante dizer: “Maria, Leva o restante do almoço para suas crianças”, “Maria amanhã chega mais cedo”, “você pode dormir em casa durante os dias que estaremos na praia”, voltamos ao tempo em que a doméstica não cobra pela mão de obra, mas o patrão paga a empregada doméstica pelo seu serviço que pode ser complementado com uma marmita de comida para as crianças, talvez alguns não queiram entender o significado de tais circunstâncias.

Do ano de 2014, para cá o Brasil foi adentrando a uma crise econômica, ressalto que foi provocada, alimentada por uma Elite do Atraso (Jessé de Souza), que sempre desejou que o Brasil fosse patriarcal, rico para ricos e pobres para pobres, fomentador da fome, da miséria, os empregos foram se fechando e os desempregos se abrindo, a construção civil parou, industrias encerraram e/ou diminuíram suas produções, serviços básicos deixaram de acontecer, os chamados marido de aluguel também deixaram de realizar os pequenos serviços que lhes rendiam um cash interessante todos os dias, lembram da TV a cabo que sempre foi privilégio da elite, o pobre também passou a ter, não está tendo mais, é verdade, que o vendedor de serviços gerais também instalava TV a Gato comprada no país vizinho quando podiam turistar por lá, falando em turismo, foi significante ver a classe C – turistar pelo nordeste e o sul do Brasil, praias, quanto gente que sempre sonhou com a praia pode ir ao litoral se esbaldar nas águas salgadas fracionadas em indeléveis 10 parcelas no cartão de crédito. Sim, havíamos acabado com a fome, o ciclo era interessante e bom, o pobre trabalhava, ganhava, comprava, em parcelas e financiamentos que davam carro, casa, faculdade privada, mas movimentava a economia, que ciclo fascinante, todos ganhavam. Mas veio 2013 e 2014: E Agora José?

A crise chegou conforme a classe média gosta, aquele grupo social que não gosta de direitos, mas de privilégios, e lutaram muito, conseguiram, se deram bem, causaram a desempregabilidade, fizeram da crise uma real procedência seus interesses e desejos. Dos anos de 2015 e 2016 em diante foi promovida grande queda na economia, aumento do desemprego, sorriam a tábua da fome foi aquecida, todos perdemos, claro que talvez bancos e banqueiros gostaram, mas todos perdemos, lembro ainda das revenda de carros, das lojas de eletrodomésticos, todos entraram na mesma conjuntura de perdas, a miséria passou a bater nas portas, começou a faltar alimentação básica, o gás, o remédio, aquecidos, todos aquecidos pela Reforma Trabalhista, aplaudida por sujeitos que melhoraram suas vidas, e chegaram a conclamar a Reforma Trabalhista é ´positiva’, precisa ser feita. Sabe o Resultado? Menos emprego e menos direito. Chore pois está chegando também a Reforma Previdenciária, de volta ao século XIX, e a fome continua a aumentar.

A frase do agora presidente é lastimável, sim, lastimável mesmo, pois dizer que não tem gente passando fome é sim um absurdo, que não existe gente esquelética é sinal de que não existe fome, programas sociais diminuíram o  número de pessoas passando fome no governo Lula, um projeto classicista trouxe novamente milhões de brasileiros vivendo a margem da miséria, a ausência de alimentos em milhões de casas de desempregados e a certeza de não saber se após o café terão o almoço, momento complexo. Assim, dizer que Lula combateu a fome – por que então Bolsonaro falou algo de ruim, sem uma análise coerente para que o coerente, é o chefe de governo nacional, entretanto, sentamos, pensamos e analisamos que, um projeto político e politiqueiro fomentou a miséria, a fome e o presidente talvez, tal qual a classe média brasileira, não esteja verdadeiramente interessado em compreender o que é fome, direitos e viver dignamente. Quando o Estado passa a não ensejar dignidade a seu povo, a fome é o endereço mais próximo para a política nacional, infelizmente todos perdem, de forma peculiar a classe C que voltou a ser pobre e o pobre que tem sido direcionado a miséria, moramos em um país que o pobre ‘é de grande valia a elite do atraso’. Sim, a fome foi fomentada, sim a pobreza no Brasil é um projeto muito bem elaborado porque nunca se contentou em ver o outro com direitos e acessos. Uma miséria programada.

*Professor

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