Chefões de quadrilha foram presos poucas horas antes de casamento em resort

Operação ocorreu no sábado, justamente porque era data do casamento de um dos chefões

Da Redação


O que era pra ser um dia de comemoração e muito luxo, acabou mal para três líderes de uma das maiores organizações criminosas do País, especializada no contrabando de cigarros. O trio acabou preso hoje, poucas horas antes do casamento de um deles, que aconteceria no fim da tarde, num resort, em Alagoas. Outros 26 mandados de prisão foram cumpridos, sendo 20 só em MS.

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As prisões são resultado da Operação Nepsis, desencadeada hoje pela Polícia Federal. A data do casamento foi descoberta durante investigações que começaram há dois anos, após uma denúncia feita a Corregedoria da Polícia Rodoviária Federal, que levou  a PF a investigar a participação de policiais numa quadrilha contrabandista de cigarros. O papel dos policiais era fazer “vista grossa” para grandes carregamentos de cigarro contrabandeado, que passavam pelas fronteiras de MS.

Com o desenrolar da apuração, a PF descobriu que a denúncia não se tratava apenas de corrupção, mas do funcionamento de uma “transportadora contrabandista”.

“É como uma empresa, com funções bem estabelecidas, gerentes, batedores, olheiros e policiais corrompidos. O que mais dificultava o nosso trabalho é que organização funcionava em ciclos, atuava e depois parava por um tempo, também havia uma logística sofisticada, com mudança de rotas  e grande poder de influência na polícia”, explicou o delegado Felipe Menezes, durante entrevista coletiva realizada na manhã de hoje, na Polícia Federal. 

Não bastassem os crimes de contrabando, após conquistar raízes fortes no Sul do Estado, a quadrilha passou a aumentar o nível de violência e firmou parcerias com facções criminosas com atuação em todo o Brasil. “Eles começaram com apenas um grupo de contrabandistas, mas a partir do momento que passaram a dominar o corredor de passagem, a organização cresceu e eles fecharam alianças com facções traficantes de drogas. É o que nós chamamos de narcocigarreiros”, disse o delegado.

Com base na investigação, estima-se que, em 2017, os envolvidos tenham sido responsáveis pelo encaminhamento de, pelo menos, 1,2 mil carretas carregadas com cigarros contrabandeados às regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Os valores em mercadorias contrabandeadas atingem cifras superiores a R$ 1,5 bilhão.

Prisões

Dos 35 mandados de prisão preventiva e oito mandados de prisão temporária,  29 foram cumpridos, o que a polícia considera um sucesso. Entre os presos, além de quatro líderes e dos “gerentes” da organização criminosa, seis são policiais da Polícia Rodoviária Federal (PRF), dois da Polícia Militar e outros dois da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul.

Outras 12 suspensões de exercício de atividade policial foram decretadas e também houve o cumprimento de 43 mandados de busca e apreensão em território sul-mato-grossense, São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Alagoas. 

Cerca de 280 policiais federais de diversos estados participaram da operação, que contou também com PRF, Receita Federal do Brasil (RFB), apoio logístico do Exército Brasileiro (EB) e da Força Aérea Brasileira (FAB) e acompanhamento das Corregedorias das Polícias Civil e Militar.

O nome da operação "Nepsis", representa um termo grego, que significa vigilância interior, estado mental de atenção plena, em uma alusão à vigilância necessária para combater as sofisticadas atividades contrabandistas e no que concerne à própria atividade de fiscalização estatal no combate à cooptação integrantes de Órgãos de repressão e fiscalização. As informações são do Correio do Estado

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