Políticos paraguaios são investigados por ligação com traficante brasileiro

Assim como Cabeça Branca, ex-senador Óscar Daher é acusado de montar empresa de fachada para lavar dinheiro

Campo Grande News


Políticos e empresários do Paraguai entraram na mira do Ministério Público daquele país por ligação com um dos maiores narcotraficantes da América Latina, o sul-mato-grossense Luiz Carlos da Rocha, o “Cabeça Branca”. O elo entre eles são empresas de fachada.

Foragido por quase três décadas após dominar o tráfico na fronteira com Mato Grosso do Sul ao lado de Jorge Rafaat Toumani – executado em 2016 – Cabeça Branca foi preso no ano passado em Sorriso (MT), onde se passava por pecuarista.

Luiz Carlos da Rocha, que ocupou a lista dos mais procurados da Interpol, passou por várias cirurgias plásticas para mudar o rosto. Atualmente cumpre pena no Presídio Federal de Catanduvas, no Paraná.

Entre os políticos paraguaios ligados a Cabeça Branca está o ex-senador Óscar González Daher, acusado de criar uma empresa de fachada para lavagem de dinheiro, a Príncipe di Savoia SA, dedicada ao mercado imobiliário. Em cinco anos, a empresa laranja teria movimentado pelo menos oito bilhões de guaranis, o equivalente a R$ 5,6 milhões.

De acordo com o jornal Última Hora, do Paraguai, os promotores René Fernández e Liliana Alcaraz analisam documentos apreendidos na semana passada durante buscas nas cidades de Luque e Assunção. A investigação inclui enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Também estão sendo investigados por ligação com Cabeça Branca os empresários Ricardo Galeano e Walid Amine Sweid, proprietários da Global Logistic Solution SA, uma empresa de transporte aéreo envolvida em um grande escândalo de lavagem de dinheiro descoberto em novembro de 2016.

A promotora Lorena Ledesma afirma que Cabeça Branca e os filhos, Rafael Pigozza Rocha e Bruno Payao Rocha, colocaram somas milionárias de dinheiro de origem ilícita no sistema financeiro paraguaio, adquirindo empresas de papel e de fachada, usando testas de ferro.

Uma das empresas de Cabeça Branca é a Agroganadera Santa Edwiges SA, criada em 2004 com capital social de 30 bilhões de guaranis. Todos têm ligação com o doleiro Darío Messer, envolvido em escândalos políticos no Brasil.

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