Funac elabora diagnóstico da cultura local

Documento identifica os artistas e iniciativas culturais do município de Nova Andradina e antecede a elaboração do Plano Municipal de Cultura

Glaucia Piovesan, Da Redação


A FUNAC (Fundação Nova-andradinense de Cultura de Nova Andradina) está em processo de elaboração do diagnóstico da cultura local. A pesquisa de campo e a sistematização dos dados deverão ser concluídas até o final do ano, e irão identificar os artistas locais e apontar as ações e eventos desenvolvidos no município neste setor.

O documento antecede a elaboração do Plano Municipal de Cultura, que devemos concluir até o primeiro semestre de 2018, ferramenta fundamental para que o município e os artistas possam ter acesso a mecanismos (público ou privado) de fomento a projetos culturais.

A informação é da diretora-presidente da entidade, Ana Lúcia Ferreira Vasconcellos, que concedeu entrevista ao Jornal da Nova para fazer um balanço dos trabalhos realizados de 1° de janeiro de 2017 até agora e o que está sendo planejado para os próximos meses.

“O mapeamento cultural de Nova Andradina vai permitir traçar um diagnóstico da realidade dos agentes culturais que atuam no município. Os resultados poderão incidir diretamente sobre as ações do poder público e demais cidadãos que atuam no campo da cultura e da economia criativa”, revela Ana.

A principal dificuldade da FUNAC para elaborar este diagnóstico tem sido reunir os artistas e produtores culturais para catalogar todas as informações necessárias. “O diagnóstico engloba as práticas de artesanato, artes cênicas, música, literatura, artes visuais, capoeira, moda, dança, circo, enfim, todas as manifestações artísticas. Temos que dialogar com todos aqueles que influenciam a vida cultural da cidade, ouvir suas reivindicações e demandas para promover eventos e ações que atendam às necessidades da classe. Porém, temos encontrado dificuldades para encontrar e reunir esses agentes para um debate mais amplo”, reitera a responsável pela Fundação.

Ampliação de oficinas, curso de teatro e coral municipal

Visando diversificar e ampliar o leque de opções de oficinas e projetos culturais oferecidos à população de todas as idades, uma das primeiras ações implementadas pela Funac foi a disponibilização de mais horários para as oficinas de pintura em tecido, tela, madeira, desenho, grafite, ballet, desenvolvidas na FUNAC.

Ana Lúcia Ferreira Vasconcellos, diretora-presidente da Funac – Foto: Luis Gustavo/Jornal da Nova

Além disso, a capacitação dos profissionais que ministram essas oficinas e a implantação de novas práticas como as aulas de violão, capoeira, curso de teatro, decopagem, street dance e canto coral.

“Agora, todas as oficinas executam um planejamento, tem horários definidos, planilhas de alunos e estão organizadas”.

As aulas de teatro são coordenadas pela professora Thais Bernardes e os alunos já fizeram uma pré-estreia neste mês. A peça ensaiada é “Os Saltimbancos”. “Foi um ‘esquenta’. O grupo se apresentou dentro de uma sala no próprio museu para as crianças de seis escolas, públicas e particulares. São 30 minutos de espetáculo e a experiência agradou ao público. Nas próximas semanas, vamos fazer a estreia oficial e queremos atrair ainda mais gente para ver o talento dos nossos artistas”, comenta Ana Lucia.

Os Corais Municipais – Infantil, Juvenil e Adulto – sob a regência de Alex Pires e de Eunice Lucinda também já começam mostrar aquilo que estão aprendendo nas aulas. O coral infantil, por exemplo, fez uma homenagem ao Dia do Professor, onde cantou duas músicas sobre o tema para uma plateia formada por educadores e estudantes. “Foram apenas dois meses de ensaios e a galera está afinada. Muito gratificante ver os resultados”.

A expansão das atividades deram novos usos e fomentaram o Museu Municipal Antônio Joaquim de Moura Andrade, outra meta alcançada pela Fundação de Cultura. Com a realização de várias exposições; fotografias, telas, artesanatos, FETRAN pedagógico, Transitando no Caos, entre outras, desfiles, apresentações de dança e balett, do Coral Municipal Juvenil e Adulto, Saraus, entre outras ações que fizeram com que a população frequentasse mais este local.

Ana Lúcia Ferreira Vasconcellos, diretora-presidente da Funac – Foto: Luis Gustavo/Jornal da Nova

“Tivemos apresentações culturais e desfile no dia das mulheres, Exposição de fotos( Mães de Nova Andradina)  no dia das mães, Sarau Cultural na Semana de Museus. São todas iniciativas inéditas, que pretendemos melhorar em vários aspectos como a organização, premiação e divulgação para aumentar a participação das pessoas”, declara a responsável pela FUNAC.

Merece destaque ainda a abertura da nova sede da Casa do Artesão, que passou a funcionar numa sala anexa ao Museu. O espaço serve para exposição e comercialização de 23 artesãos. “Isso deu maior visibilidade para nossos artesãos e ainda gerou economia aos cofres públicos, já que não há cobrança de aluguel”, defende.

Fetran e Garota Fejuna  

Dois projetos que envolveram diretamente a participação da FUNAC foram o FETRAN (Festival Estudantil Temático de Trânsito) e a Garota FEJUNA.

No primeiro, além de auxiliar na organização do festival realizado na Câmara, a Fundação cedeu o espaço para algumas escolas fazerem os ensaios das peças teatrais. A professora de teatro Thais Bernardes também deu aulas de teatro durante todo o período em que estiveram se preparando para a apresentação.

“O mérito é todo das escolas, ou seja dos alunos e professores que desde o início do ano se prepararam e conseguiram conquistar todos os prêmios do Festival na edição de 2017. Mas, não podemos deixar de citar que temos muito orgulho de sediar este evento para toda a região, organizar cada detalhe e revelar talentos. Agora, com o curso de teatro não tenho dúvidas que novos prêmios virão, seja no FETRAN ou em outro concurso de teatro”, acredita a diretora.

Ana Lúcia Ferreira Vasconcellos, diretora-presidente da Funac – Foto: Luis Gustavo/Jornal da Nova

No caso da Garota Fejuna, a FUNAC apostou numa nova roupagem para o concurso de modelos. Um edital foi lançado e todas as escolas puderam indicar uma garota para concorrer. Houve inovação também nos figurinos das candidatas, que desfilaram com uma camiseta estilizada/personalizada para a ocasião.

Na próxima edição, em consenso com os representantes das escolas, uma nova mudança deve acontecer com o intuito de resgatar a tradição junina da festa.  “As candidatas vão desfilar  também com trajes juninos e  se tiver adesão pensamos ainda em lançar a garota junina infantil”, adianta Ana Vasconcellos.

No tocante a novos projetos, um curso de mosaico deverá ser oferecido até o natal. A ideia é apresentar a noções básicas para os participantes e, ao final, produzir uma guirlanda ou algo decorativo com a temática natalina, já oferecemos nesse ano um curso de mosaico interno para os funcionários onde os mesmos confeccionaram uma placa e o número da FUNAC.

A diretora presidente não quis adiantar outros novos projetos, pois dependerá da disponibilidade de orçamento para o próximo ano. “O governo municipal tem dado um grande apoio para a cultura, mas sabemos que a crise financeira afetou todas as prefeituras. Projetos foram apresentadas ao secretário de educação, cultura e esporte, o Fábio Zanata, e ao prefeito Gilberto Garcia. Na medida do possível, vamos ajudar nossos artistas e fazer fervilhar a cultura local. Se não puder financiar com recursos, daremos um apoio com profissionais ou serviços”, defende, lembrando que ela mesma já pôde oferecer sua mão de obra para uma oficina de maquiagem teatral e, mais recentemente, para a pintura de uma placa utilizada na abertura do Jena (Jogos Escolares de Nova Andradina).

Ana Lúcia Ferreira Vasconcellos, diretora-presidente da Funac – Foto: Luis Gustavo/Jornal da Nova

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