Caderno JN / Cultura
Madeira de demolição e cerâmica compõem a base para o artesanato de Renato Camilo
Após quase um ano e meio debruçando sobre a arte, Renato já conseguiu muitos clientes e admiradores
Glaucia Piovesan, Da Redação
Nesta Sexta Cultura, o Jornal da Nova foi conhecer o trabalho em madeira de demolição, cerâmica, resina, bambu e outros materiais feitos por Renato Camilo.
Café, chá e outros produtos podem ser servidos elegantemente dentro de uma bandeja. Já por fora das peças do artesão é possível conhecer várias histórias e muito sobre o artista da Cidade Sorriso. A forma como são feitas, cada recorte, tudo foi pensado pelo auxiliar administrativo de um posto de combustíveis, de forma bem genuína.
A capacidade de realizar as composições, a distribuição, o acabamento, tudo isso foi adquirido pesquisando, buscando e aprendendo. Após quase um ano e meio debruçando sobre a arte, Renato já conseguiu muitos clientes e admiradores.
As obras são produzidas numa pequena marcenaria no fundo da casa de seu pai, onde guarda tudo que consegue garimpar na casa de amigos e, principalmente, residências de madeira ou antigas que estão sendo demolidas. O trabalho é uma terapia para as horas vagas.
Apaixonado pelo trabalho manual, Renato de 43 anos, conta que a atividade ajuda a complementar sua renda”. A grande maioria das peças utiliza madeira reaproveitada. Tem bandejas, quadros, espelhos e objetos de decoração. Cada uma leva de três a vinte dias para ficar pronta, dependendo da disponibilidade do artesão.
São um verdadeiro capricho, da natureza e do Renato. “Por trás de cada produto, há uma história. Eu vou na casa de amigos, nas construções, apanho e transformo uma matéria-prima que acabaria descartada. Aproveito as madeiras e as cerâmicas que eu tenho. Ou então, quando passo pela estrada e vejo a madeira caída, eu paro o carro, pego e trago para casa”, revela.
Outra fonte de matéria prima são as casas de materiais de construção. “Quando não encontro nada disponível por aí, vou até esses locais que vendem esses materiais e acabo comprando. Eu bato o olho e penso como posso aproveitar melhor o que eu tenho em mãos. Os produtos são feitos artesanalmente mesmo, com escolha criteriosa dos materiais e muita revisão de acabamento antes de levar aos clientes as peças. Eu monto, se não ficar bom, desmancho. Até dar certo, ficar como eu queria”, explica o artesão.
Com o diferencial ecológico da produção, que transforma peças sem prejudicar o meio ambiente, o trabalho tem o apelo do contemporâneo e da sustentabilidade.
São obras de arte que merecem ser vistas e adquiridas. Por isso, o artesão costuma fotografar suas peças e coloca-as no Facebook, como forma de divulgar e comercializar tudo o que produz. Outra maneira que tem garantido a venda de sua produção é a exposição na loja de móveis do tio, a Móveis Maringá. “Ao ir em busca de móveis, os clientes acabam se encantando com as obras. O importante é que a arte esteja boa em todos os sentidos: é sentir a peça (tato, visão, etc.), não apenas passar no maquinário”, complementa.
Nesta semana, Renato postou algumas peças que a reportagem também fotografou. Em dois dias, já tinha vendido um espelho de parede e uma bandeja. Também colocou à venda bandejas feita em peroba rosa com cerâmicas decorativa e bandejas com espelho e pés de metal. As obras são comercializadas por R$ 90 a R$ 280, as bandejas. Já os espelhos em torno de R$ 700.
Diante da boa aceitação do seu trabalho, o auxiliar administrativo pensa em dedicar mais tempo a arte. “Hoje é mais um hobby. No entanto, é algo que um gosto muito de fazer, é prazeroso, é uma terapia que se rendesse financeiramente o que eu precisava, me dedicaria exclusivamente a isso. Tenho vontade de produzir mais peças, compor um portfólio e participar de uma exposição. Enquanto não tenho essa disponibilidade, continuo fazendo minhas encomendas e divulgando no Facebook. Devagar, a gente chega lá”, encerra.
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