Renúncia inédita é estratégia para tirar Olarte da prisão, diz defesa

Campo Grande continua com o cargo de vice-prefeito vago

Correio do Estado


Foi protocolada às 8h30 de hoje, na Câmara Municipal, a carta de renúncia do prefeito afastado de Campo Grande, Gilmar Olarte (PP). Apesar de estar afastado como prefeito, Olarte renunciou ao cargo ao qual foi eleito, de vice, e também de prefeito empossado. Segundo a defesa, a decisão inédita na Capital foi uma estratégia para conseguir agilizar a soltura de Olarte. Com isso, Campo Grande continua sem vice-prefeito.

O documento com apenas um parágrafo foi entregue à presidência da Casa de Leis pelo advogado de Olarte, que está preso desde o dia 15 de agosto, Jail Azambuja. A carta foi lida no início da sessão de hoje pelo 1º secretário Carlos Augusto Borges, o Carlão (PDB). A sessão teve apenas 6 minutos e foi encerrada para reunião entre os vereadores.

Conforme a defesa, a decisão de renunciar ao cargo é inédita em Campo Grande e foi tomada por uma questão de estratégia para que todos os três processos aos quais Olarte responde tramitem agora em 1º grau e não no Tribunal de Justiça.

“Estamos fazendo uma virada na questão de competência para julgamento dos processos. Ganhamos possibilidade a mais de recorrer em relação a eventual indeferimento de liberdade”, disse Jail.

Dos três processos que o ex-vice-prefeito responde, apenas um está em fase processual, outros dois, entre eles o que levou Olarte para a prisão há 24 dias, estão em fase de denúncia do Ministério Público.

Conforme o presidente João Rocha, ainda é cedo para definir o que juridicamente acontecerá com o cargo de vice, mas a princípio ele fica vago. Questionado sobre o fato de João Rocha ser o novo vice, o vereador não quis detalhar o assunto. “Eu sou vereador escolhido pelos meus colegas e vamos repassar a renúncia para procuradoria jurídica da Casa”.

Entenda o caso

Gilmar e Andréia Olarte foram presos no dia 15, em razão da Operação Pecúnia, deflagrada pelo Gaeco. O órgão, braço do Ministério Público, apura lavagem de dinheiro obtido supostamente por meio de corrupção, na época em que ele era prefeito e Andréia, primeira-dama.

Olarte já responde pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no âmbito da Operação Adna, deflagrada em 2014, e por associação criminosa e corrupção ativa no processo resultante da Coffee Break, ambas também comandadas pelo Gaeco.

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