Cidades & Região / Nova Andradina
No Dia do Professor, mestres contam como é educar na atualidade
Profissionais contam ao Jornal da Nova as suas experiências, o dia a dia e os desafios da profissão
Glaucia Piovesan, Da Redação
Hoje é dia de quem ensina, de quem estuda, de quem dedica a maior parte do seu tempo para os livros, cadernos e provas. É dia daquele que, mesmo com os percalços e dificuldades extremas, ama o que faz. Hoje é Dia do Professor.
No dia mais especial do ano para eles, o Jornal da Nova apresenta uma reportagem especial com três profissionais da educação que contaram suas experiências, sua carreira, como é o dia a dia e os desafios enfrentados na escola. Mesmo sabendo a que a valorização profissional e salarial não é mais a mesma de 40, 50 anos atrás, eles são apaixonados pelo que fazem e devem servir de exemplo.
Cleonice Gueller de Lima Cunha leciona para a educação infantil há 13 anos. Atualmente, atua na Escola Municipal Antônio Joaquim de Moura Andrade. Ela conta já no início da carreira se encantou com a profissão. “Sempre estudei em escola pública, venho de uma família humilde, que sempre me incentivou a estudar, fiz o magistério pois queria ter uma profissão assim que terminasse o ensino médio. Quando encerrei esta etapa, a UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) estava oferecendo o curso de Letras. Então, ao terminar a faculdade, já estava lecionando e encantada com a profissão”, ressalta.
Sempre investindo na sua qualificação profissional, a professora fez pós graduação e trabalhou em várias escolas do município com estudantes de diversas faixas etárias, do ensino fundamental e médio. Na educação infantil desde 2004, ela acredita que é muito gratificante lecionar para as crianças. “Elas aprendem de uma forma lúdica e muito rápida, sendo a base para sua vida escolar. Costumo falar que plantamos e veremos os frutos quando eles estiverem exercendo a profissão que escolheram, pois todas as outras profissões passaram por uma sala de aula e lá receberam de um professor boa parte do conhecimento que possuem”.

Fazendo uma análise crítica da educação e da profissão, Cleonice sabe que os desafios são muitos e vêm de diversas direções – a família, a sociedade, a política, o MEC (Ministério da Educação e Cultura), entre outros, no entanto, o lado positivo e recompensador é o reencontro com um ex-aluno, que reconhece o valor para a sua vida.
“É notável o descaso com a educação brasileira. São salas numerosas, a estrutura física, muitas vezes inadequada, o desrespeito com o professor em sala. Na educação infantil, crianças que não respeitam o próximo (colega de sala, funcionários da escola, direção e coordenação e professores). É triste quando voltamos o nosso olhar para este lado da educação. Mas, olhamos também para o outro lado. Quando encontramos ex-alunos trabalhando em várias profissões e nos cumprimentam: Oi prô. Lembra de mim? Ou quando chegam com uma criança pela mão e entrega na porta e falam: ela também foi minha professora”, desabafa.
Porém, nenhuma dessas dificuldades fizeram com que ela perdesse a paixão pelo que faz. “Foi paixão à primeira aula. Sou encantada e compromissada com a minha profissão, pois acredito que quando trabalhamos com amor os obstáculos da profissão são verdadeiras "escadas " para que possamos chegar ao topo realizando com excelência”, defende a educadora.
Na educação há seis anos, Melina Pinotti atua na Escola Estadual Professora Nair Palácio de Souza. Já atuou como professora nas redes municipal e particular, e considera ser professor, antes de tudo, um ato de resistência. “Em tempos tão temerosos, ser professor, pra mim, é poder aprender a cada dia, pois para ensinar é preciso entre outras coisas dedicação aos estudos”, analisa.
Mestre em história pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Campus de Nova Andradina, ela acredita que foi a profissão quem a escolheu. “Entre outras possibilidades de faculdades em que iniciei, foi o curso de licenciatura em História e a possibilidade de pesquisa e de ensino que me fez acreditar na profissão de ser professora. O desafio é estar em sala de aula e lidar diariamente com um sistema que parece nos impedir de atuar para uma educação emancipatória e humanizadora”, avalia a profissional.
Ela também não esconde sua preocupação com os problemas no setor da educação do país, citando questões de estrutura, baixo salário, as problemáticas que envolvem o professor lidar com um sujeito [aluno] que não é neutro, pois traz uma bagagem de problemas de ordem familiar, como a violência.
Assim, Melina pontua que o desafio para o professor é fazer com que o aluno aproprie o conteúdo, às vezes tão distante de sua realidade. “Pra mim, que sou professora de História, vejo como desafio fazer com que o ensino do passado tenha uma lógica de apropriação a partir do presente”, relata a mestre.
Para Melina Pinotti, a maior recompensa e satisfação é ser reconhecida como profissional que detém um conhecimento, quando tem o respeito da comunidade escolar. É possível acreditar na educação, pois existem ótimos professores que fazem trabalhos maravilhosos com poucas condições e a maior recompensa é ver que os alunos apropriaram o conhecimento e vão levar isso pra vida. “Melhor recompensa é quando uma turma de alunos atua junto à sua prática docente, fazendo valer os seus conhecimentos e ensino, pois um professor não atua sozinho, ele precisa da participação de seus alunos. A recompensa vem quando o aluno diz que passou a gostar da matéria pelo modo que você explica. Em especial, cito uma ex-aluna. Quando dei aulas em turmas da EJA (Educação de Jovens e Adultos), ela me disse começou a fazer o curso de História influenciada pelas minhas aulas. E, ela está prestes a concluir o curso”, conta orgulhosa.

Fernando Zanelli Mitsunaga é professor universitário da faculdade de Direito da FINAN/UNIESP. O advogado acredita que ser professor, antes de mais nada, é uma grande troca de conhecimento. Destacando um ditado que diz: “Ninguém é tão sábio que não tenha algo para aprender e nem tão tolo que não tenha nada a ensinar”, ele diz que vive isso todos os dias na Universidade. “Ás vezes, aprendo mais do que ensino, e essa troca de experiências é que torna fascinante a arte de lecionar”.
Graduado na UFGD (Universidade Federal Grande Dourados) e pós graduado pela Uniderp/Anahnguera, Fernando leciona desde 2008. A primeira experiência foi no ensino técnico de marketing na escola Nair Palácio de Souza. “Foi uma experiência incrível, por que eu fui aluno da escola, cursei todo meu ensino médio lá e, de repente, me vi na sala dos professores com vários daqueles que tinham me dado aula. Desde 2012, sou professor na FINAN/UNIESP no curso de Direito”, conta.
Ele brinca que não escolheu ser professor, foi à docência quem o escolheu. “Minha formação é em Direito, eu sou advogado, mas desde os tempos da faculdade eu já dava aulas como aluno monitor. Na verdade, acho que ser professor tá no meu DNA, meu pai é professor eu herdei dele o amor pelo magistério”, esclarece.
Na sua opinião, o maior desafio que se apresenta aos professores é a utilização da tecnologia no ensino. “Se por um lado a evolução tecnológica é muito benéfica, para quem está a frente de uma sala de aula, muitas vezes, ela é um problema, é difícil prender a atenção do aluno. O celular é sempre mais interessante que o professor, o notebook/tablet sempre é mais atrativo”, pontua o educador.
No caso do professor do ensino superior, a melhor recompensa e satisfação é ver a evolução do acadêmico, não só enquanto profissional, como também ser humano. “Encontrar com ex-alunos nos corredores dos “Fóruns”, presenciar eles exercendo seu ofício com dignidade e competência; e saber que, de alguma maneira, você contribuiu para o crescimento pessoal/profissional daquela pessoa é motivo de muito orgulho e satisfação”, finaliza.
Cobertura do Jornal da Nova
Quer ficar por dentro das principais notícias de Nova Andradina, região do Brasil e do mundo? Siga o Jornal da Nova nas redes sociais. Estamos no Twitter, no Facebook, no Instagram, Threads e no YouTube. Acompanhe!






