Cidades & Região / Nova Andradina
Por falta de provas, acusado de crimes é absolvido em Nova Andradina
Depois de 11 meses recluso na Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande, “Paletó” foi inocentado das acusações de roubo e tráfico de drogas
Glaucia Piovesan
O Poder Judiciário de Nova Andradina absolveu, Anderson de Melo dos Santos de 29 anos, conhecido por Neguinho Paletó, investigado por suposto envolvimento no tráfico de drogas, onde era apontado como fornecedor de entorpecentes.
Em agosto do ano passado, a Justiça já havia revogado a prisão preventiva de Anderson em razão de suposta participação em assalto a uma residência localizada na rua São José, próxima a Câmara Municipal, quando, foi expedido um alvará de soltura, porém, ele permanecia preso em razão da acusação de tráfico de drogas. Com essa nova decisão proferida, o homem foi inocentado de todas as acusações imputadas a ele e está livre para reconstruir sua vida em sociedade.
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A sentença datada no último dia 1º e assinada pelo Juiz da Vara Criminal da Comarca de Nova Andradina, Dr. José Henrique Kaster Franco, determinou que Anderson fosse absolvido em razão da falta de provas.
Tudo começou durante investigação da Polícia Civil de Nova Andradina, em março de 2015, quando, os policiais detiveram Eduardo Nascimento dos Santos de 19 anos, vulgo Crentinho e Anderson de Melo dos Santos de 28 anos, vulgo Paletó, acusados de tráfico de drogas e associação para o tráfico.
Durante o processo, Anderson sempre negou a prática desses delitos. Já o outro acusado, Eduardo, apesar de no primeiro momento ter acusado Paletó, retratou-se em juízo, sustentando que Anderson não tinha envolvimento com drogas. Sua defesa também comprovou no momento do roubo à residência, o acusado estava trabalhando em uma empresa. Além disso, a droga foi encontrada na residência habitada apenas por Eduardo e sua esposa.
Entretanto, o ex-motorista de uma empresa de transportes, Anderson de Melo dos Santos foi absolvido em razão de falta de provas. Já Eduardo Nascimento Santos, o outro acusado pelo crime, foi condenado em 2 anos e 2 meses e 20 dias de reclusão e 220 dias-multa, a razão de 1/30 do salário mínimo a unidade, em regime inicial fechado.
Em busca de vida nova
Ainda um pouco consternado com a prisão durante um período de 11 meses, onde ficou recluso na Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande, Anderson concedeu uma entrevista exclusiva para o Jornal da Nova contando sobre o período em que esteve atrás das grades, sua luta até conseguir comprovar sua inocência e o como pretende retomar a vida na sociedade.
Anderson iniciou seu depoimento contando as circunstâncias em que foi preso. Sem querer julgar a ação da polícia, ele explicou os equívocos em torno das acusações. “Estava trabalhando na empresa quando eles [policiais] me prenderam acusando de ter participado do “roubo Ford”. Queriam me fazer falar sobre algo que eu nem sabia. Depois disso, fui acusado de tráfico de drogas a partir de uma ligação que partiu de um rapaz que nem contato eu tinha. Disseram que eu fui encontrado na casa desse Eduardo com drogas e fui preso em flagrante. Mas na verdade, estava em horário de trabalho e bati ponto. Chegaram lá no meu trabalho e me pediram para ir à delegacia para dar esclarecimentos. Como não devia nada, fui lá e acabei preso por tráfico injustamente”, explicitou.
O ex-presidiário contou ainda que permaneceu por 21 dias na Unidade Prisional de Nova Andradina, quando foi transferido para o Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, em Campo Grande, sob a acusação de que teria tentado fugir. “Fiquei no RDD (Regime Disciplinar Diferenciado). Nesse tempo, perdi meu emprego, gastei com advogado, fiquei longe da família. Passei Natal, Ano Novo e muitas outras datas importantes como o aniversário dos meus filhos, na cadeia. Não pude ir ao enterro da minha avó. Esta prisão estragou bastante a minha vida”, declarou o homem, que é pai de três filhos – 10, 8 e 3 anos.
Ao lado da esposa Aline, Anderson afirma que o seu desejo maior agora é de retomar a vida ao lado da família e arranjar um emprego. Apesar de inconformado de ter sido privado da convivência em sociedade, ele ainda não decidiu se irá avançar com um pedido de indenização por danos morais ao MPE (Ministério Público Estadual). “Foi uma luta muito grande. A situação já não é fácil para um trabalhador. Muito sofrimento. Quero arrumar um emprego. Eu sei que isso vai me deixar marcado a vida inteira, mas sempre trabalhei. Minha carteira de trabalho pode comprovar isso. Agora é pensar em vida nova. Bola pra frente”, disse esperançoso.
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