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Veja quem foi Jorge Rafaat Toumani

Da Redação, com ABC Color / Imagens: Reprodução
16/06/2016 18h27
Jorge Rafaat Toumani / Imagens: Reprodução

Jorge Rafaat Toumani de 56 anos, foi um poderoso narcotraficante para a Polícia Federal do Brasil, porém, nunca se pode comprovar vínculos com o mercado de drogas no Paraguai, por isso circulava livremente pelo país, pese que havia indícios contundentes em contrário. 

 

Jorge Rafaat, conhecido como um "próspero empresário de Pedro Juan", chegou a disputar a gerência deixada na fronteira pelo "Rei das Drogas", Fernandinho Beira Mar.

 

Foi processado pela justiça brasileira quando tentou enviar do Paraguai 492 quilos de cocaína em agosto de 2004 e a operação foi abortada por agentes federais que interceptaram o enorme carregamento em 22 de agosto de 2004, e São José do Rio Preto (SP).

 

Empresário

Com nacionalidade brasileira e conhecido pelo apelido de "Sadan", Rafaat deveria responder à justiça federal de Campo Grande pelos delitos de formação de quadrilha, tráfico internacional e lavagem de dinheiro junto com, também narcotraficante Luiz Carlos da Rocha, conhecido como "Cabeça Branca".

 

Em junho de 2005, o então prefeito de Ponta Porã, Flavio Kayatt, e o secretário municipal de Obras, Helio Peluffo Filho, foram convocados para depor pela defesa do narcotraficante, segundo reportagem do “Midiamax”.

 

Segundo informações da inteligência antidrogas, Kayatt seria nada menos que compadre de Rafaat e seu depoimento foi requerido pela defesa do mesmo, pelo que os federais deduziram haver um hipotético vínculo com o detido. Jorge Rafaat representava para a Polícia Federal uma das peças chaves do tráfico de drogas. Contraditoriamente, Rafaat tinha em Pedro Juan Caballero uma empresa dedicada à comercialização de pneus e assegurava ser simplesmente um "próspero empresário".

 

Atentado contra Rafaat

Há muitos anos, em maio de 2001, um grupo de pistoleiros atacaram com metralhadoras as instalações de sua empresa, o que desatou uma ampla investigação das forças antidrogas para descobrir as reais atividades que se dedicava Rafaat na fronteira. As informações obtidas revelaram que Rafaat tinha aspirações de "herdar" o esquema instaurado pelo "rei das drogas", Fernandinho Beira Mar, a partir dos contatos que logrou estabelecer com referência ao cartel colombiano de cocaína, na fronteira com o Brasil.

 

Em agosto de 2014, o empresário de 56 anos, que foi identificado pela Polícia como o dono da carga de 847 quilos de cocaína apreendida nesse ano em Puerto Fénix de Mariano Roque Alonso, afirmou ser vítima de uma perseguição. Negou a ligação com a mercadoria confiscada e anunciou uma guerra contra os agentes intervenientes. Nesse momento, afirmou que não tinha nada a esconder e atribuiu o feito a uma tentativa de ligá-lo ao narcotráfico.

 

Agora, grande parte das pessoas preferem guardar silêncio por medo, no departamento de Amambay sempre foi conhecida a rivalidade que Rafaat Toumani mantinha com o senador liberal Robert Acevedo. Por outro lado, o advogado Óscar Raúl Acuña Núñez, defensor de Jorge Rafaat, confirmou a condenação, em 2014, de 47 anos de prisão que suporta seu cliente no Brasil, porém alegou que está respondendo ao processo em liberdade por uma apelação da sentença, que ainda se mantém. 


Vínculos com as drogas

O nome do empresário apareceu no circuito investigativo depois da apreensão de uma grande carga de droga que iria ser enviada à República Democrática do Congo, África, em sacos de arroz. Contudo, a “mercadoria” foi interceptada momentos antes de ser embarcada. A cocaína confiscada foi avaliada em US$ 70 milhões no mercado africano, onde geralmente os traficantes misturam a droga com outras substâncias para aumentar seu volume e preço.

 

Nomeado patrão

No famoso áudio que foi filtrado, em que se ouvia a conversa mantida entre o traficante Ezequiel de Souza com os senadores Arnaldo Giuzio, Arnoldo Wiens e o ministro Luis Rojas, Ezequiel também falou de Jorge Rafaat Toumani, referindo-se a ele como um dos "patrões" da fronteira.

 

Em 6 de julho de 2015, quando apreenderam aviões no aeroporto de Pedro Juan Caballero, versões de fontes antidrogas indicaram Rafaat como um dos proprietários de estes transportes e anunciaram que o investigariam. 

 

Preparavam o golpe

Já neste ano, em 11 de março, policiais do Departamento Contra Delitos Econômicos e Financeiros confiscaram em Pedro Juan Caballero duas propriedades de Jorge Rafaat Toumani. Então considerou caça dum atentado frustrado por parte de membros do grupo PCC. 

 

Vale destacar que o grupo criminoso foi perseguido e teve que abandonar, no lado brasileiro (Ponta Porã), um caminhão blindado e uma poderosa metralhadora. Supostamente, com este armamento pretendiam atacar a fortaleza no Paraguai de Jorge Rafaat, porém, a manobra saiu mal e os delinquentes terminaram sendo perseguidos pelos comparsas de Rafaat, que, segundo se presume, antecipou ao ataque com ajuda da Polícia local.

 

Nesse mesmo mês, a descoberta de um arsenal no bairro Villa Aurelia de Assunção deu origem a suspeita de que o estava ligado a perseguição e tiroteio ocorrido em Pedro Juan Caballero. A partir de então, a Secretária Nacional Antidrogas (Senad) havia recolhido informações precisas que ajudaram a desbaratar a organização internacional de tráfico de armas, supostamente dirigida pelo empresário Carlos Federico León Ocampos, agora preso junto com sua mulher e um secretário.

 

Mobilizou seus homens

Posteriormente a estes fatos, a promotora Kathia Uemura expressou que o empresário Jorge Rafaat Toumani, quem supostamente era o alvo do atentado em Pedro Juan Caballero, protagonizou uma briga com pessoas fortemente armadas em um posto de gasolina.

 

Perante a acusação, Rafaat Toumani respondeu através da rádio "La Voz del Amambay", justamente pertencente a família do senador Robert Acevedo, que sua equipe de segurança deu conta "de movimentos estranhos na rua em que moro", deu a entender que ele quis ajudar a Polícia e ordenou aos seus seguranças intervirem. 

 

Uma guerra na fronteira

Em 11 de abril deste ano, uma reportagem do ABC Color anunciava que uma verdadeira "guerra" aparentemente se avizinhava na fronteira seca paraguaio-brasileira, segundo as investigações das autoridades da área. Esta dedução se deu baseada na descoberta de grandes arsenais e veículos blindados durante as investigações efetuadas nas últimas semanas em Pedro Juan Caballero e Assunção por parte da Senad e Polícia Nacional.

 

"A luta pelo controle do tráfico de drogas e armas converteu essa região do país, integrada pelos departamentos de Amambay, Canindeyú, Concepción e San Pedro, em tambor de pólvora ao que parece ao Estado, não interessa por fim”, afirmava "ABC Color" nesta data. 

 

Aparentemente, as previsões se cumpriram, por trás do atentado que acabou com a vida de Rafaat nesta quarta-feira, se desenvolveu uma série de atos de violência no território fronteiriço.






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